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04/07/19 - 00h43 - atualizada em 04/07/19 às 00h53

Vacinação contra aftosa alcança 99% de cobertura em Irati

Imunização do rebanho de zero a 24 meses de idade foi a última antes da retirada da vacinação do Paraná

Edilson Kernicki, com reportagem de Rodrigo Zub 

Campanha de vacinação contra aftosa acontece em duas etapas sempre nos meses de maio e novembro

A campanha de vacinação contra a febre aftosa atingiu 99% do rebanho bovino e bubalino entre zero e 24 meses, na cidade de Irati, de acordo com a médica veterinária Cristina Barra do Amaral Bittencourt, da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR). Essa etapa de imunização, realizada em maio, foi a última antes da retirada da vacina no Paraná.

Em abril, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) decidiu antecipar a retirada da vacina contra a febre aftosa no Paraná. Com a decisão, o Estado venceu a última barreira para vir a ser considerado área livre da febre aftosa sem vacinação, o que amplia oportunidades de exportação de carne.

“Nas poucas propriedades que faltaram [confirmar a vacinação], ainda não consegui achar, mas aos poucos vamos achando. Por exemplo, uma pessoa [um pecuarista] estava internado no hospital, tem pessoas que não tinham mais gado e esqueceram de dar baixa. Pessoas que realmente não vacinaram o gado que deveria ter sido vacinado são muito poucas”, enfatiza Cristina.

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De acordo com a veterinária, os resultados da campanha de vacinação foram satisfatórios em toda a região. Apenas os municípios de Rio Azul e Mallet foram ligeiramente prejudicados pela falta da vacina ao final da campanha. “Eles ainda estão se regularizando. Mas os demais municípios foram muito bem, estão com índices muito bons de vacinação, acho que até melhor que o índice de vacinação dos humanos”, afirma Cristina, que compara o resultado ao da vacinação contra a gripe, que ocorreu no mesmo período.

A princípio, o calendário do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PNEFA) previa que a última etapa de imunização do rebanho bovino e bubalino seria em maio de 2020, para o Bloco V, formado pelos estados do Sul, pelo Mato Grosso e pelo Mato Grosso do Sul. O Paraná conseguiu comprovar que seu serviço de defesa agropecuária está bem estruturado e que as etapas do cronograma foram rigorosamente cumpridas, o que levou o MAPA a aprovar a antecipação da retirada da vacina.

Em participação no programa Meio Dia em Notícias, médica da ADAPAR, Cristina Barra do Amaral Bittencourt, falou sobre a campanha de vacinação contra febre aftosa realizada em maio

Enquanto isso, nos meses em que deveria ocorrer a vacinação – maio, para animais com menos de dois anos, e novembro, para todo o rebanho – os pecuaristas deverão fazer a atualização cadastral. O cadastro é uma lista que relaciona todos os animais em sua propriedade e atualiza informações sobre quantos nasceram e quantos morreram num determinado período.

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“Em setembro, deverá ser fechada a divisa do Paraná com os outros estados – São Paulo, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina (barreira sanitária). No ano que vem, em maio, deve ser solicitado o reconhecimento como área livre de febre aftosa sem vacinação internacionalmente. Mas esse certificado só deve sair em maio de 2021”, explica. Esse certificado é emitido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

Alcançar esse status melhora a capacidade de exportação de produtos agropecuários oriundos do Paraná. Santa Catarina, que já obteve a certificação de livre da aftosa sem vacinação, consegue, por exemplo, exportar carne de frango com preço 17% superior ao nosso. “E o Paraná é o maior produtor e exportador de carne de frango do Brasil, mas tem o preço um pouco menor, porque havia a vacinação contra a febre aftosa”, compara.

A obtenção do título de “livre da aftosa sem vacinação”, segundo Cristina, reflete o esforço de cinco décadas de trabalho em prol da imunização dos rebanhos paranaenses.

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