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03/07/19 - 11h22 - atualizada em 03/07/19 às 11h30

Pesquisadoras são resgatadas após passarem a noite na Flona

Doutoranda da Unicentro e professora da UTFPR estavam realizando trabalho de pesquisa em área da Unicentro. Uma delas conhecia bem a área

Edilson Kernicki, com reportagem de Rodrigo Zub 

Imagem da Floresta Nacional de Irati (Flona)

Duas pesquisadoras – uma doutoranda em Engenharia Florestal na Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro) e uma professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) de Ponta Grossa – foram resgatadas na manhã de terça-feira (2), depois de passarem a noite perdidas dentro da Floresta Nacional de Irati (Flona). As duas faziam parte de um grupo de cinco pesquisadores, composto de dois homens e três mulheres, que visitaram a área de pesquisa da instituição na unidade de conservação, na segunda (1º), segundo o técnico florestal e biólogo da Flona, Ademar Luís Brandalise.

A Flona possui duas entradas: uma pela Portaria e outra na cidade de Fernandes Pinheiro, que foi o local utilizado pelos pesquisadores. No fim da tarde, eles decidiram deixar o local, de caminhonete, mas duas mulheres ficaram para trás, pois haviam se perdido.

Os rapazes tentaram localizá-las e, sem sucesso, solicitaram apoio da Flona, da Unicentro, do Corpo de Bombeiros, de um outro grupo e dos vizinhos da área. As buscas prosseguiram até as 4h30 da madrugada de terça (2). Os trabalhos foram retomados quando o dia amanheceu, com outras pessoas nas buscas e com cães farejadores do Corpo de Bombeiros.

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Elas foram localizadas por um vizinho da área por volta das 9 horas, perto do local onde tinham se perdido. Segundo Brandalise, elas se sentaram sob uma árvore assim que escureceu e ali permaneceram durante a madrugada. Quando amanheceu e ouviram barulho de pessoas se aproximando, elas foram encontradas. De acordo com o técnico florestal da Flona, as duas estavam bem, apenas um pouco assustadas, mas sem nenhum ferimento. Ele disse que as pesquisadoras foram espertas e pouparam energia ao decidir permanecer no mesmo local até serem encontradas.

A tenente Carla Spak, comandante do Corpo de Bombeiros de Irati, observa que, além de soldados de Irati, as buscas tiveram apoio do soldado Diego Fleitux, do Corpo de Bombeiros de União da Vitória, e da pastor belga Kira, cão farejador usado em buscas adestrado por Fleitux. “Veio até Irati também o tenente Aleixo, que é comandante [do Corpo de Bombeiros] de União da Vitória, acompanhando essa situação”, acrescenta.

Ainda conforme Spak, por volta das 6h de terça-feira (2), foi acionado o apoio do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST), do Corpo de Bombeiros de Curitiba. Entre as principais atribuições dessa equipe estão a busca e salvamento em ambiente de florestas, de montanhas e em meio aquático. Por volta das 9h, foi disponibilizado o apoio de uma aeronave às buscas, caso fosse necessário.

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“Mas por volta de 9h20, as duas professoras foram localizadas, por alguns moradores do local, num outro ponto, próximo de onde estavam sendo realizadas as buscas; ilesas, sem nenhum ferimento, bem agasalhadas. Não houve encaminhamento delas a nenhuma situação hospitalar, pois elas estavam bem. Elas relataram que ouviam os apitos dos bombeiros, mas não sabiam localizá-los e resolveram não arriscar e continuaram paradas e ali pernoitaram, para que no momento que clareasse o dia, pudessem andar em segurança”, detalhou.

Na avaliação da tenente Spak, as pesquisadoras tiveram uma atitude correta, pois sem lanterna e outros aparatos, elas poderiam se perder ainda mais ou sofrer algum acidente. Conforme ela, a prudência das duas contribuiu para que fossem localizadas sãs e salvas.

Reserva aberta à visitação

A Flona Irati abre diariamente para visitação espontânea, inclusive aos fins de semana, das 8 às 17h. Existem três tipos de trilhas, conservadas e sinalizadas, para que o visitante possa percorrer sozinho. Também há um campo de futebol e parque infantil.

As escolas podem agendar passeios conduzidos, com educação ambiental. Dentro da Flona, há um pequeno museu, montado em 1997, onde podem ser vistas algumas espécies da fauna e flora locais, além de fotografias e registros desde a criação da unidade de conservação, em 1946.

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Vale destacar que incidentes podem ocorrer com qualquer pessoa, mesmo mais experientes e com vasto conhecimento da área. Em 2015, o engenheiro florestal Trajano Grácia Neto também se perdeu dentro da Flona, próximo da área de pesquisa da Unicentro, enquanto monitorava a atividade da vespa da madeira no Talhão 90. Assim como as pesquisadoras, ele foi localizado na manhã seguinte, quando o dia clareou.

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