Irati e Região / Notícias

28/12/16 - 19h32 - atualizada em 24/05/18 às 11h09

Nova célula de aterro sanitário deve entrar em uso a partir de 2017

Das 200 toneladas de lixo produzidas pelo município de Irati mensalmente, cerca de 85 toneladas correspondem a recicláveis

Edilson Kernicki, com reportagem de Jussara Harmuch 

Vista aérea do local onde o lixo vem sendo depositado

Local de onde é retirado a terra para cobrir o lixo
O município de Irati produz, mensalmente, 200 toneladas de lixo, das quais cerca de 85 corresponde a material reciclável. Hoje, a Secretaria de Meio Ambiente e Ecologia deposita os resíduos numa área considerada “aterro controlado”. Entretanto, está sendo criada uma nova célula, ao lado da atual, que poderá ter seu uso iniciado a partir de 2017.

O funcionário da Secretaria de Meio Ambiente responsável pelo aterramento dos resíduos, César Francisco Lechiu, explica como funciona esse trabalho. “Tira a terra lá de baixo [outra área do terreno], a esteira empurra essa terra por cima, aterra o lixo, por isso, ‘aterro sanitário’. Vamos socando terra e firmando, para fazer outro platô em cima. Vamos fazendo as camadas”, conta.

De acordo com o funcionário, o lixo não fica a céu aberto. Tão logo chega, o caminhão faz a cobertura do lixo com terra. “Durante o dia, já cobre tudo. Não pode deixar de um dia para o outro. Tem que todo dia cobrir. Não fica lixo descoberto. Com chuva ou com tempo bom, tem que cobrir”, enfatiza Lechiu.

Segundo ele, diariamente chega um caminhão, mesmo que com meia carga, com o material que não é aproveitado pelas cooperativas de reciclagem. Lechiu destaca que a comunidade tem colaborado com a separação dos resíduos e que tem vindo pouco material reciclável misturado ao lixo comum. “Aos poucos, as pessoas estão aprendendo a separar”, comenta.

Lagoa onde o chorume canalizado é depositado
O secretário de Meio Ambiente e Ecologia, Leoni Ribas, que comandou a pasta durante a gestão do prefeito Odilon Burgath, explica que o município consegue reciclar até 85 toneladas das 200 que chegam até o aterro todo mês. “Diminuímos muito o volume de material com a coleta a partir do programa Ecotroca. Chega um material mais preparado para as cooperativas de reciclagem e é feita a troca por alimentos”, afirma. “Estamos ainda trabalhando no aterro antigo, mas estamos fazendo uma nova célula, onde não está sendo colocado material ainda”, garante Ribas.

Desde que iniciaram as adequações do aterro, os resíduos que chegam passaram a ser diariamente cobertos com terra. A Secretaria de Meio Ambiente e Ecologia executou a canalização e tubulação do chorume. “E outras melhorias básicas, como o plantio de grama”, acrescenta.

Material vegetal, como galhos de árvores existentes no terreno, com autorização para corte, é aplicado num trabalho chamado de “resteva”. Esses galhos são depositados nas bordas para dar melhor suporte ao aterro e conter a saída do chorume, para evitar a erosão do solo.

“Temos a expectativa segura de que até o final do ano de 2016, esse trabalho que está sendo feito neste aterro será suportado. É um aterro controlado. Antes tínhamos um lixão e hoje temos um aterro controlado, que ainda não está 100% adequado às normas exigidas”, explica.

Acesse mais abaixo, no "saiba mais", as matérias anteriores sobre o lixo (2011), para saber como era antes das melhorias.

Veja mais fotos do aterro em àlbum.

Leoni Ribas secretário do Meio Ambiente na gestão Odilon Burgath
Quanto ao licenciamento ambiental, o secretário relata que vêm sendo realizadas reuniões periódicas com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que também está visitando frequentemente o local onde funciona o aterro controlado. “Inclusive, nos orientando sobre o que seria correto”, completa Ribas.

A nova célula será sequência de um projeto feito por uma empresa, conforme o secretário. “No mesmo terreno do aterro será aberta a nova célula, que vai seguir a todos os parâmetros legais recomendados pelo Código Nacional [a Política Nacional de Resíduos Sólidos] e pelo IAP, a nossa regional”, explica.

“Vamos fazer a manta, ter toda a canalização do gás, a questão do chorume. Todo esse processo. Finalizando essa unidade do antigo aterro que será aberta a nova célula, com todos os parâmetros legais do Código Nacional”, complementa.

Para a nova célula, o município está em processo de aquisição de um terreno vizinho a ela. “Para nós abrirmos uma nova célula, precisamos do material de cobertura. Precisa adquirir um terreno ao lado para fazer a cobertura. Estamos fazendo uma projeção de que ela vai passar dos 30 anos [de vida útil]. Há uma proposta de fazermos um consórcio com os municípios vizinhos, que têm feito o transbordo, pagando um absurdo para levar o material para fora do Estado. Temos uma característica regional de crescimento de mais de 20% da população das nossas cidades, e já estamos levando em consideração a vida útil desse aterro, de 30 anos, nesse crescimento populacional”, observa.

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Terreno

A regularização documental do terreno onde funciona o Aterro Controlado de Irati está em fase final de avaliação judicial. A negociação está avançada, segundo Ribas, e assim que houver decisão jurídica definitiva, o Município poderá adquiri-la.

Além de regularizar o espaço onde funciona atualmente o Aterro, a Prefeitura estuda também adquirir terreno adjacente para sua ampliação. O projeto de ampliação considera todas as normas ambientais, as orientações do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e estudos solicitados pela Prefeitura.

Há quase dois anos, um laudo técnico elaborado pelo IAP indicava que o município de Irati não poderia ampliar a área do aterro sanitário no Pinho de Cima, porque a área disponível não era suficiente para abrigar, na nova célula, o mesmo volume de resíduos que até então é depositado. Porém, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente garante que a nova célula considera, inclusive, a tendência de crescimento de 20% da população nos próximos 30 anos.

Sandro Ribeiro, mora próximo ao aterro, é funcionário da empresa que fornece a máquina para fazer a cobertura do lixo. Ele e a família sofream com a falta de uma rede adequada de distribuição de água.

Distribuição de água

Cerca de 15 famílias que moram na área circunvizinhança do Aterro Sanitário, no Pinho de Cima, ainda não dispõem de serviço de tratamento e distribuição de água. Elas ainda dependem de poços artesianos ou coletam a água em um olho d’água. Até 2012, a qualidade da água naquela região nunca tinha sido monitorada pela Vigilância Sanitária. A reportagem da Najuá esteve no local, em 2012, e a Vigilância Sanitária coletou água para testagem e deu orientações aos moradores, que dizem que não houve mais controle dessa qualidade desde então.

Mesmo assim, o morador Sandro Ribeiro diz que o cheiro do antigo lixão não incomoda mais a vizinhança, desde que os resíduos passaram a ser aterrados. “Antes era insuportável o cheiro, agora mudou bastante, está sendo coberto corretamente o lixo”, compara.

Em 2011, a família Ribeiro relatou à Rádio Najuá que, devido à instalação do lixão no local, teve que fechar o poço ao lado da residência para evitar a contaminação da água usada em casa. Outro poço foi construído a uma distância de um quilômetro da casa

Também há cinco anos, a coleta de lixo era ainda realizada por quatro caminhões da Prefeitura. Hoje, o serviço é terceirizado e o número de coletas semanais foi uniformizado nos bairros. Na ocasião, os funcionários da Prefeitura que trabalhavam na coleta de resíduos reclamavam da falta de consciência dos moradores quanto à necessidade de separação e acomodação adequada do lixo. Atualmente, a situação parece ter melhorado.

Na época, os moradores também reclamavam do incômodo odor e das moscas que o lixão atraía, em especial nos dias de calor. Além disso, ainda era frequente ver pessoas da cidade e do Caratuva virem até o lixão em busca de material reciclável que vinha junto e ficava exposto por não ser entrerado imediatamente para comercializar, expondo-se a muitos riscos de saúde.


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