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11/07/19 - 23h24 - atualizada em 12/07/19 às 11h10

Manifesto pede instalação de Delegacia da Mulher em Irati

Cerca de 80% das ocorrências registradas na Delegacia de Irati envolvem violência doméstica

Jussara Harmuch 

Uma manifestação em protesto contra a violência doméstica reuniu cerca de 300 pessoas, na manhã desta quinta-feira (11) em Irati. Os manifestantes pedem por igualdade de direitos na educação e solicitam que seja instalada uma Delegacia da Mulher no município. O movimento, denominado “O Silêncio Mata”, percorreu as ruas do centro da cidade e terminou em frente à Delegacia de Polícia Civil (41ª DRP).

Confira vídeos do manifesto no fim do texto

O caso de agressão ocorrido na noite do dia 25 de junho, em Irati, em que o ex-namorado de uma professora da rede pública a golpeou com uma barra de concreto, chocou a opinião pública e revoltou um grupo de mulheres, que decidiu se manifestar. Segundo o delegado Paulo César Eugênio Ribeiro, o crime contra a professora teria sido motivado por ciúmes.

O movimento “O Silêncio Mata” reuniu lideranças das áreas de educação, justiça, polícia, saúde, setor comercial e política da região, em nível municipal e estadual. No total, mais de 40 pessoas participaram de uma reunião que antecedeu a passeata.

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Durante o manifesto, foi relembrado o caso de feminicídio de Ivanilda Kanarski, em que a esposa foi morta na frente dos filhos à plena luz do dia, no Parque Aquático de Irati. O crime completa um ano no próximo dia 26. Através de cartazes, familiares expressaram indignação e cobraram justiça.

“A família está aqui reunida em prol deste ato contra a violência contra a mulher e eles vieram não só enquanto família [de uma vítima], mas para mostrar solidariedade a todas as outras mulheres vítimas. Estão aqui mostrando sua indignação e o clamor ao governo para que traga essa Delegacia da Mulher o quanto antes. É uma necessidade muito urgente para nossa cidade. Os casos são cada vez mais alarmantes, mais frequentes. Queremos um basta nisso”, afirma a advogada Marina Vicente, que representa a família de Ivanilda.

Franciele Santos, cunhada de Ivanilda, observa que ao longo do ano passado já foram realizados outros movimentos semelhantes, pedindo por justiça para esse crime e para que haja mais segurança para a mulher. “Toda semana ouvimos na rádio e vemos nas redes sociais casos de mulheres que são espancadas ou mortas, como foi o caso da Ivanilda. Nossa saudade aumenta, a cada dia que passa. Sabemos o sofrimento e a dor que é passar por isso e queremos que mais ninguém passe”, comenta.

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A mãe de Ivanilda, Marli Kanarski, diz que tem sido difícil para ela e para seus netos e filhos de Ivanilda, lidar com o luto e que a sede por justiça cresce cada vez mais.“Os filhos sofrem, no dia a dia, com medo de que o pai saia da cadeia. Queremos justiça, principalmente pelo que aconteceu com a minha irmã, mas também pelo que tem acontecido [a outras mulheres] e que ouvimos no rádio. Queremos dar um basta a tudo isso que vem ocorrendo”, afirma o irmão de Ivanilda, Romildo Kanarski.

Relatórios da 4ª Regional de Saúde indicam que, no período de 2014 a 2019, foram registrados 1.122 casos de violência contra a mulher, dos quais mais de 700 ocorreram em Irati. Na Polícia Civil, 80% dos boletins de ocorrência são de violência doméstica, relata o investigador Régis Tiago Rodrigues. O comandante da Guarda Municipal, Averaldo Lejambre, atribui grande parte dos casos à influência do consumo excessivo de álcool, que potencializa a violência.

O número de agressões contra a mulher pode ser ainda maior em relação aos que se tem registro, afirmaram, em unanimidade, as autoridades presentes na reunião. Policiais, educadores e profissionais da saúde afirmam que a subnotificação é grande devido às circunstâncias complexas que envolvem a condição feminina na sociedade e a forma como é abordada pelas instituições.

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“Terminamos esse primeiro ato com um sentimento de gratidão a todos que se envolveram, entidades regionais, Secretarias Municipais de Saúde e de Educação, Câmara de Vereadores. Com essa união, esperamos trazer e articular as melhorias para beneficiar e para receber as denúncias, acolher as mulheres; mudar essa realidade”, avalia Amanda das Graças Gomes do Valle Gryczynski, uma das organizadoras do protesto.

“É muito importante, agora, que toda a sociedade que viu que todos se reuniram contra a violência doméstica façam sua parte. Os meios de comunicação divulgam as formas de fazer as denúncias, a fim de diminuir os casos. Ficamos muito emocionadas por ver que homens e mulheres se uniram em benefício de uma causa”, opina Marli Traple, que também é uma das organizadoras do movimento.

“Esse manifesto ocorreu contra a violência. O índice de violência contra a mulher, contra crianças e idosos em Irati ultrapassa o de Ponta Grossa. São números assustadores. Esse movimento é contra a violência. Temos que fazer algo, e dá para fazer. Somos fortes juntos”, ressalta Diva Martini, que também fez parte da organização.

Confira dois vídeos do manifesto



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