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11/01/13 - 08h20 - atualizada em 11/01/13 às 12h02

Cooperativa de recicláveis de Irati recebe grande quantidade de lixo hospitalar

Sassá Oliveira


O que é feito com o lixo hospitalar de Irati?
Reportagem publicada em 16/12/2011

Dando continuidade a série de reportagens que fizemos sobre o lixo em Irati, estivemos na Santa Casa de Irati para saber como é feito o descarte, a coleta e o transporte do lixo hospitalar até o seu destino final.

O enfermeiro Leandro Luiz Moreira responde pelo setor de lixo hospitalar da Santa Casa de Irati. Como assumiu esta responsabilidade há pouco tempo, Moreira ainda está se inteirando sobre o trabalho, mesmo assim atendeu a reportagem da Najuá na semana passada.

O tratamento do lixo produzido na Santa Casa inicia nos postos de atendimento, no momento em que os profissionais de enfermagem descartam os materiais utilizados no tratamento dos pacientes internados. Existem as lixeiras separadas para cada tipo de material, frascos de soro, material perfurocortante etc.

A equipe recebe da instituição orientações além do treinamento que vem da formação básica da profissão de enfermagem. “Eu estou sempre olhando as lixeiras, supervisionando para não dar problema na frente. Mas as equipes estão bem conscientizadas”, conta.

O material perfurocortante é descartado em caixas de papelão especialmente confeccionadas para este fim, que são lacradas e substituídas a cada período.

Por exigência da Vigilância Sanitária, os hospitais elaboram um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços da Saúde, onde as ações de manuseio e descarte do lixo são especificadas.

As lixeiras são esvaziadas três vezes ao dia, em cada troca de período, ou antes, se necessário, em acordo com o que prevê a resoluções da SESA – (Secretaria Estadual de Saúde) e do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) que preconiza o uso de 50% da capacidade destes recipientes. Depois de recolhido o lixo segue em sacos plásticos separados e identificados por tipo de material até um local reservado onde fica depositado por uma semana, até que uma empresa especializada na coleta e transporte de lixo hospitalar - SPIELMANN & SPIELMANN LTDA EPP - o conduza até seu depósito na cidade de Dois Vizinhos. O lixo é pesado no local, a cobrança é feita de acordo com a quantidade (peso) recolhida. A destinação final destes resíduos é feita por outra empresa que o processa através da incineração.

Quanto aos materiais cirúrgicos utilizados em cirurgias, antes de serem lavados, passam por uma emulsão que contém sabão enzimático que inicia a destruição dos microorganismos.

* Texto: Jussara Harmuch - leia a matéria completa

Mesmo sendo um assunto sério para administradores hospitalares e para a população, o destino do lixo hospitalar é pouco comentado. Nas clínicas, hospitais, farmácias são geradas enormes quantidades de resíduos, em virtude da grande variedade de serviços prestados nesses locais. Por isso o descarte incorreto do lixo hospitalar representa  um grande risco às pessoas que vierem a manuseá-lo, pois ele pode conter micro-organismos que causam doenças. Além das pessoas, os resíduos hospitalares também podem infectar áreas inteiras, ou até lençóis freáticos, uma poluição silenciosa e muito perigosa.

Infelizmente em Irati, os catadores de materiais recicláveis se depararam com uma triste realidade. Uma grande quantidade de lixo hospitalar foi recolhida pelos catadores às vésperas do natal e se encontra na cooperativa de recicláveis.

Na manhã de hoje (09) visitamos o local e encontramos uma grande quantidade de lixo hospitalar composto por seringas usadas, recipientes de soro, luvas, frascos de remédios em meio ao material reciclável.

O que chama atenção é que em meio ao lixo hospitalar é possível encontrar seringas com agulha e frascos com sangue.

De acordo com Vanderlei, um dos membros da cooperativa, o material foi recolhido dias antes do Natal. Ele acredita que o lixo hospitalar é proveniente da secretaria de Saúde.

Vanderlei pede a colaboração das pessoas que utilizam materiais hospitalares, para que façam a destinação correta, evitando colocar em risco a saúde das pessoas que trabalham na cooperativa.

Situação no País

No Brasil, cerca de 120 mil toneladas de lixo urbano são geradas por dia, sendo que 1% a 3% dessa quantidade é produzida nos estabelecimentos de saúde. Desse total, entre 10% a 25% representam risco à saúde. Com a destinação correta do resíduo é possível também reduzir a possibilidade de contaminação do lixo comum.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabeleceu regras nacionais sobre acondicionamento e tratamento do lixo hospitalar gerado, da origem ao destino (aterramento, radiação e incineração) atingindo hospitais, clínicas, consultórios, laboratórios, necrotérios e outros estabelecimentos de saúde.

Vanderlei acredita que o lixo hospitalar é proveniente da secretaria de Saúde

Lixo hospitalar enviado para a Cooperativa de Recicláveis

Em meio ao lixo hospitalar é possível encontrar seringas com agulha e frascos com sangue


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