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05/02/13 - 15h48 - atualizada em 05/02/13 às 22h47

Coleta de lixo hospitalar de Irati passa por atualização

Sistema de coleta de lixo hospitalar produzido pela Santa Casa de Irati está sendo atualizado através de um programa de gerenciamento
Marli Traple e Jussara Harmuch


Sistema de coleta de lixo hospitalar produzido pela Santa Casa de Irati está sendo atualizado através de um programa de gerenciamento
Cristiana Maria Schvaidak é responsável pelo Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos e Serviços de Saúde (PGRSS) da Santa Casa de Irati. Ela recebeu a reportagem da Najuá para contar como está sendo realizada a reestruturação do trabalho de coleta de todo o lixo gerado pela instituição hospitalar. A instituição não produz apenas lixo hospitalar, mas também o reciclável comum.

Um trabalho de treinamento está sendo feito com todos os funcionários para estabelecer a separação correta no momento em que o lixo é gerado, evitando que haja risco de misturar o material infectante com o comum e também para evitar acidentes entre a rede de pessoas que manipulam o lixo até o destino final.

O programa, que deve ser elaborado por um profissional habilitado em curso de formação superior, deve conter o diagnóstico do lixo e a quantidade gerada em cada setor diariamente. Com base na análise destes dados é calculado o montante anual e instituído um plano de ação de como deve ser armazenado e transportado todo o tipo de lixo recolhido na instituição. Consultórios odontológicos e clínicas particulares também estão obrigados a seguir esta determinação da Vigilância Sanitária.

“O plano é trabalhado anualmente e enviado para a Vigilância Sanitária Municipal e para o IAP (Instituto Ambiental do Paraná), para que seja avaliado o destino e a quantidade de lixo produzida pelo estabelecimento”, diz. Cristiana explica que a Santa Casa entrega o lixo para a empresa terceirizada e fiscaliza para saber se o destino final está sendo o correto para cada tipo de material. “A responsabilidade é de todos. Se a instituição não fizer este programa, pode ter sérias consequências, pois uma das exigências para o funcionamento delas é ter este plano atualizado”.

Os resultados já podem ser vistos. Depois de uma avaliação comparativa do lixo produzido de um ano para o outro, Cristiana conta que o volume aumentou, mas não é motivo de alarme. A explicação está no aumento do número de atendimentos de maior complexidade. “Aumentou o volume de lixo produzido pelo aumento das complexidades e atendimentos realizados pela Santa Casa, porém, já estava dentro da expectativa e o aumento ocorreu de forma controlada”.

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Como é feito a coleta do lixo

O tratamento do lixo produzido na Santa Casa inicia nos postos de atendimento, no momento em que os profissionais de enfermagem descartam os materiais utilizados no tratamento dos pacientes internados. Existem as lixeiras separadas para cada tipo de material, frascos de soro, material perfurocortante etc. A disposição obedece a um critério de cores que facilita na separação do material que será dispensado.

O material perfurocortante é descartado em caixas de papelão especialmente confeccionadas para este fim, que são lacradas e substituídas a cada período.
A equipe recebe da instituição orientações além do treinamento que vem da formação básica do profissional de enfermagem.

Por exigência da Vigilância Sanitária, os hospitais elaboram um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços da Saúde, onde as ações de manuseio e descarte do lixo são especificadas. As lixeiras são esvaziadas três vezes ao dia, em cada troca de período, ou antes, se necessário, em acordo com o que prevê a resoluções da SESA – (Secretaria Estadual de Saúde) e do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) que preconiza o uso de 50% da capacidade destes recipientes. Depois de recolhido o lixo segue em sacos plásticos separados e identificados por tipo de material até um local reservado (em área externa) onde fica depositado por uma semana, até que uma empresa especializada na coleta e transporte de lixo hospitalar - SPIELMANN & SPIELMANN LTDA EPP - o conduza até seu depósito na cidade de Dois Vizinhos. O lixo é pesado no local, enquanto que a cobrança é feita de acordo com a quantidade (peso) recolhida. A destinação final destes resíduos é feita por outra empresa que o processa através da incineração.

Quanto aos materiais cirúrgicos utilizados em cirurgias, antes de serem lavados, passam por uma emulsão que contém sabão enzimático que inicia a destruição dos microorganismos.

De acordo com a enfermeira responsável pela Comissão de Controle de Infecções Hospitalares, Vanessa Pankoski, o resíduo comum é coletado pela prefeitura de Irati e segue para o aterro municipal. Os materiais infectantes que ficam armazenados são dispostos em recipientes lacrados. Ainda segundo a enfermeira, a empresa terceirizada que coleta o lixo hospitalar dá diversos destinos para cada tipo de material, sendo às vezes auto clavado, incinerado, ou armazenado em valas recebendo banho de produtos químicos para a descontaminação.

A atração de ratos e insetos é a maior preocupação da equipe da Santa Casa, já que os insetos são vetores de microrganismos. “Se fizermos uma análise biológica nas patinhas de uma formiga acharemos milhões de bactérias” – descreve Vanessa, explicando que se este animal andar sobre o lixo, poderá levar estes agentes infectantes para dentro do ambiente hospitalar. “O paciente pode tocar com as mãos algum móvel contaminado e tornar-se uma cadeia de transmissão de doenças”, conclui.


       

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