Futebol / Esportes

07/06/12 - 04h02 - atualizada em 08/06/12 às 02h43

Iraty deve mais de R$ 100 mil para jogadores e funcionários do clube

Salários estão atrasados há quase quatro meses. Para sobreviver goleiro Doni está trabalhando no Centro de Reciclável
Da Redação


Falar do Iraty Sport Club virou sinônimo de problemas. A cada dia que passa o torcedor ouve uma notícia ruim relacionada ao Azulão. O ano de 2012 está longe de acabar, mas certamente ele é o pior da história do clube quase centenário. Saíram de cena os gols e belas jogadas e entraram em campo as polêmicas. A última delas se refere ao atraso no pagamento do salário de funcionários e atletas que disputaram o Campeonato Paranaense. Todos eles estão sem receber há quase quatro meses. O total da dívida ultrapassa os R$ 100 mil, conforme divulgado pela reportagem da RPC/TV.

Casa do atleta foi colocada a venda pela diretoria do clube
Para honrar os compromissos, o clube colocou a venda a casa do atleta. O ônibus que transportava os atletas também será vendido.

No dia 18 de maio, a reportagem da Najuá, conversou com o goleiro Doni, que foi titular do Iraty durante boa parte do campeonato estadual.  Doni afirmou naquela oportunidade que a diretoria promete pagar, mas não estipula data e ainda diz que o ex- presidente Sérgio Malucelli, investidor do clube, está sem dinheiro. “Faz três semanas que acabou o campeonato. A maioria dos atletas foi embora. Eles não tinham mais dinheiro para ficar e a alimentação foi acabando também”, disse o goleiro à equipe da Najuá.

Duas semanas depois a situação continua estagnada. Diante da passividade da diretoria, Doni resolveu ir à luta para garantir seu sustento.

Alternativa do goleiro Doni foi trabalhar no Centro de Reciclável de sua família para conseguir sobreviver
Casado e pai de dois filhos, o goleiro rescindiu o contrato e foi trabalhar no Centro de Reciclável de sua família. “Eu não podia ficar parado tendo minhas responsabilidades, água, luz, outras contas que eu tinha para pagar”, afirma o goleiro.

Formado nas categorias de base do Iraty, Doni relata que durante os seis anos que permaneceu no clube nunca tinha visto um problema parecido.  Ao todo, 18 atletas e 12 funcionários vivem situações semelhantes ao goleiro. O fisioterapeuta William Rigoni, diz que parou a construção de sua casa devido à falta de pagamento do seu salário. “Infelizmente o time não conseguiu permanecer na 1ª divisão, mas a gente fez o papel nosso. Somos profissionais, têm jogadores que tem família e crianças para sustentar”, argumenta Rigoni.

Doni espera que o clube cumpra com sua obrigação, mas afirma que a diretoria tem dificultado o acerto com seus ex-atletas. “Isso é sacanagem. Temos família para criar e eles estão enrolando na questão do acerto. Não recebi e ainda estou abrindo mão de tudo para poder ir embora”.

Vale destacar que o presidente do Iraty, Geraldo Campagnoli, afirmou que o clube iria cumprir com todas as obrigações, realizando o pagamento dos salários atrasados até a 1ª quinzena do mês de maio.

Já Malucelli colocou até um terreno que a empresa SM Sports adquiriu para a construção de um CT em Irati, como garantia para efetuar os pagamentos. “Esse terreno será vendido para pagar as dívidas do clube. A casa do atleta também será negociada. Esse dinheiro ficará todo nos cofres do Iraty e o que sobrar será investido na sede social”, relatou durante entrevista à Najuá, no dia 27 de abril.

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