Cultural / Entretenimento

06/11/19 - 22h52 - atualizada em 06/11/19 às 23h13

Pesquisador localiza 23 sítios arqueológicos em Irati

Arqueólogo acredita que possa haver muitos outros a serem descobertos e catalogados

Da Redação, com reportagem de José Maria Grácia Araújo (Zeca Araújo) 

Pontas de flecha feitas em pedra foram encontradas por arqueólogo em Irati

O arqueólogo Felipe Roger Alves Glória, em pouco mais de um mês num trabalho desenvolvido junto à Companhia Paranaense de Energia (Copel), detectou 23 sítios arqueológicos no município de Irati. Felipe é graduado em Arqueologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) desde 2011 e ultimamente tem desenvolvido pesquisas em todo o Paraná.

Ouça o áudio da reportagem no fim do texto

Felipe está auxiliando a Copel nas obras de linhas de transmissão que estão sendo feitas em Irati, numa extensão de 70 quilômetros, há pouco mais de um mês. Cabe ao arqueólogo fazer uma espécie de varredura na área dessas linhas de transmissão e buscar minimizar o impacto dessas obras sobre os sítios arqueológicos. Em entrevista no programa “Irati de Todos Nós”, que foi ao ar pela Super Najuá no domingo (27), ele demonstrou ter ficado impressionado com a quantidade de material arqueológico localizado e catalogado na cidade.

“Todas as grandes obras, querendo ou não, têm um impacto destrutivo, pois você vai remover solo e vai se perder aquilo. Num sítio arqueológico, não é como na natureza, que você pode reflorestar e recuperar; se você destrói algo, perde 10 mil, 5 mil, 2 mil anos de história e nunca mais vai repor aquilo. Justamente por isso que a Copel se preocupa bastante para tentar minimizar esses impactos. A partir do momento que se faz esse tipo de estudo, você está resgatando aquilo e vai ser escrito e catalogado esse tipo de serviço”, acrescenta Felipe.

CLIQUE AQUI E RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS PELO WHATSAPP

Os indígenas foram os primeiros a povoar o Paraná, inclusive Irati. Dessa forma, não é algo incomum encontrar resquícios arqueológicos da população mais antiga: artefatos, pontas de flecha, fragmentos de cerâmica, entre outros. “Através do estudo arqueológico, vamos descobrir a idade, quem eram os povos que aqui habitavam, o tipo de ferramentas que eles faziam. Todo o modo de vida deles vai ser estudado e escrito. Mas não só dos indígenas. Muitas pessoas pensam que a arqueologia só trabalha com vestígios indígenas. Tentamos remontar toda a história de Irati, desde os tropeiros, os colonizadores poloneses, ucranianos, italianos, alemães que chegaram aqui. O trabalho do arqueólogo é fazer um contexto da região, escrever aquilo e repassar para a população”, esclarece o arqueólogo.

“Desde quando cheguei aqui e começamos a trabalhar nas linhas de transmissões, são 23 sítios arqueológicos, num raio de 20 metros. Estamos trabalhando numa extensão de 70 quilômetros, mas com uma largura de, no máximo, 30 a 40 metros, por ser uma linha de transmissão”, detalha.

PUBLICIDADE

Segundo Felipe, por terem sido encontrados tantos sítios arqueológicos em uma área tão restrita, é possível presumir que há muitos outros espalhados em toda a extensão de Irati. “Se você sair andando pela Serra dos Nogueiras ou em qualquer topo de morro, praticamente, haverá um sítio arqueológico. Essa é uma coisa que pouquíssimos lugares têm e que deve ser estudada e mostrada à população essa quantidade e o que deve ser feito a partir disso”, conta.

Quando se encontra um vestígio arqueológico – um artefato, uma ferramenta antiga, um utensílio, entre outros – é importante marcar o local da descoberta, pois, para o arqueólogo, é importante traçar um panorama do contexto em que aquele objeto estava inserido – uma história que, talvez, o objeto isolado não seja capaz de contar. “Aquele contexto era a aldeia deles, a casa deles. A partir do momento que você retira o material dali, você vai deixar muita informação para trás”, diz.

Em pouco mais de um mês, arqueólogo detectou 23 sítios arqueológicos em Irati

Pontas de flecha feitas em pedra foram encontradas pelo arqueólogo

Felipe observa que a arqueologia pode resultar no desenvolvimento turístico de um local. Dois dos exemplos mais relevantes quanto a isso são o Egito e o Peru. “Temos países no mundo que trabalham com a arqueologia, preservam isso e ganham bastante recursos através disso. Uma das visões que temos na arqueologia é justamente a questão do turismo acadêmico. A partir do momento que você tem – até agora – 23 sítios arqueológicos detectados, mas que pode ter 100 ou mais, vai se atrair universidades e escolas, não só do município de Irati, mas da região inteira”, comenta.

Com a descoberta desse potencial de Irati possuir uma infinidade de sítios arqueológicos, Felipe acredita que a cidade deveria ter um curso de Arqueologia na Unicentro. “É um curso essencial no país, porque acompanha obras e toda obra precisa de um arqueólogo. É algo que está defasado, pois não temos tantos arqueólogos para isso. A cidade de Irati não tinha um sítio arqueológico registrado. Há uma quantidade muito grande e, agora, eles vão ser descobertos e registrados. A cidade precisa abarcar isso, dar essa continuidade e desenvolver esses projetos”, diz. O arqueólogo afirma que a criação de um museu contribuiria muito para o prosseguimento das pesquisas no âmbito da arqueologia e para a preservação desse acervo.

O arqueólogo orienta que, quando se encontra um material arqueológico num terreno, mesmo que você guarde em casa, marque o local onde encontrou a peça e comunique o Instituto do Patrimônio e Artístico Nacional (IPHAN) ou a Secretaria Municipal de Cultura. No Paraná, a Superintendência do IPHAN fica em Curitiba, no Alto da XV, Rua José de Alencar, 1808. Telefone (41) 3264-7971; e-mail: iphan-pr@iphan.gov.br; site: www.iphan.gov.br/pr.

Comentários