Rádio Najuá

Pinho de Cima terá sistema de abastecimento de água ainda na gestão Sérgio Stoklos

15/09/11 - 20h04 - Atualizado em 15/09/11 - 20h04
Jussara Harmuch Bendhack e Marli Traple


Desde o início do ano a Rádio Najuá realiza uma série de matérias abordando assuntos ligados ao meio ambiente. Durante a reportagem que abordou a questão do lixo doméstico, a equipe ouviu os moradores da região do Pinho de Cima, em torno do Aterro Sanitário de Irati, que se queixam da ausência de um sistema de distribuição de água de qualidade. Depois que o aterro foi instalado, cerca de 10 famílias tiveram que lacrar os poços ao lado de suas residências devido à possibilidade de contaminação pelo processo de decomposição dos resíduos, que libera gases e chorume contaminando o solo e o lençol freático. A promessa de que a rede seria instalada foi feita por diversos governantes e políticos, mas a comunidade aguarda por uma solução há 10 anos.

E a situação fica cada vez pior, pois o aterro está com os dias contados e não possui licença ambiental. Quando chove, os moradores precisam comprar água na cidade porque a enxurrada carrega poluentes para grandes distãncias e acaba contaminando áreas maiores, próximas à nascente que está sendo utilizada. Além do mais, a qualidade da água não é garantida nem mesmo em dias normais, pois segundo relato dos moradores, nunca foi realizado um exame que ateste isso.

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A reportagem da Najuá procurou saber as razões que impediram o cumprimento das promessas. A Sanepar respondeu, através de nota de sua assessoria de comunicação, que as comunidades providas por sistemas de abastecimento rural são de responsabilidade dos municípios.

Água do reservatório da nascente do Pinho de Cima
Na prefeitura, o secretário do Meio Ambiente preferiu aguardar a conclusão de algumas ações em conjunto com o IAP (Instituto Ambiental do Paraná) antes de se pronunciar sobre qualquer assunto referente ao aterro sanitário. Já o secretário de Agricultura falou sobre a intenção da atual administração em realizar um projeto que solucione este problema, porém também prefeririu não se pronunciar.

Procurado pela Najuá, o prefeito Sérgio Stoklos disse que o projeto de execução do sistema de distribuição de água potável do Pinho de Cima já foi autorizado e alegou problemas burocráticos para justificar o atraso das obras. Mas o prefeito garante que ainda na sua gestão a comunidade do Pinho de Cima vai ter um sistema adequado de abastecimento.

Canos levam a água da nascente para as residências do Pinho de Cima
“A expansão da rede de abastecimento de água para a comunidade de Pinho de Cima já foi autorizada há muito tempo, mas existe toda uma burocracia, projetos e compras para que isso possa ser realizado. Na nossa gestão, já está definido que vai acontecer [a execução do sistema], se não acontece antes é porque existem dificuldades das mais variadas, mas não é por vontade nossa, nem mesmo da Sanepar, a não ser que tenha algum impedimento técnico, mas no Pinho de Cima não existe isso”, disse o prefeito que continua: “Nós temos vários projetos de melhoria de água na área rural, vários deles já foram executados, outros estão em execução e outros serão executados”.

Governo federal aperta o cerco em torno dos municípios que estão fora da lei ambiental

O governo federal está apertando o cerco em torno das prefeituras. Em troca de liberação de verbas, está exigindo o cumprimento da lei federal de 2007 que determina a destinação de resíduos sólidos adequada à Saúde Pública e proteção do meio ambiente.

 

Recentemente, equipe de técnicos do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) visitou os 21 escritórios regionais do IAP para fazer uma radiografia das atividades de fiscalização e licenciamento das áreas destinadas a receber o lixo urbano, em todo o estado. 



Stoklos disse que depois de concluídas as obras previstas, Irati vai se tornar o município com maior abrangência de sistemas de distribuição de água. “Já realizamos, em parceria com a Sanepar, o sistema de abastecimento de água em Faxinal do Rio do Couro e em Caratuva, e já foi autorizado o sistema de Arroio Grande e Gonçalves Junior. A Sanepar me informou outrora que, uma vez isso executado, Irati será o melhor município da região em termos de abastecimento de água”, comemora Sérgio.




Aterro não possui licença ambiental


O Aterro Sanitário de Irati, não possui licença ambiental. Segundo informações do IAP, outros municípios da região se encontram na mesma situação. Para adequar o aterro às condições exigidas, Stoklos disse que está preocupado com a questão e que o plano de governo contempla ações neste sentido.

Terceirização

A terceirização da coleta do lixo é defendida por órgãos ambientais porque elimina os aterros sanitários e é parte do processo de logística reversa.

Logística Reversa

A logística reversa trata do fluxo físico de produtos, embalagens ou outros materiais, desde o ponto de consumo até ao local de origem. Como exemplos de logística inversa, temos: o retorno das garrafas (vasilhame), a coleta de lixos e resíduos recicláveis.

Atualmente é uma preocupação constante para todas as empresas e organizações públicas e privadas, tendo quatro grandes pilares de sustentação: a conscientização dos problemas ambientais; a sobre-lotação dos aterros; a escassez de matérias-primas; as políticas e a legislação ambiental. (Wikipédia)

Segundo o prefeito, entraves burocráticos têm atrapalhado a contratação de pessoal e serviços, mas em reunião com o IAP, isso já foi acertado. "Faz parte do plano de governo fazer os melhoramentos no aterro sanitário, muito já foi feito e melhorado, mas estamos com o nosso secretário do Meio Ambiente, Luiz Carlos Ramos, trabalhando para que o aterro atenda às necessidades ambientais, isso é o nosso grande desejo e isso já está sendo feito. Precisa fazer licitação, contratar geólogos, contratar uma série de situações que precisam passar pela burocracia da lei para que possa ser cumprido e feito. Já combinamos isso com o próprio IAP”, respondeu Sérgio Stoklos.


O prefeito também comentou a respeito de um projeto envolvendo todos os municípios que compreendem a região da AMCESPAR(Associação dos Municípios do Paraná) para terceirizar a coleta e transporte do lixo que seria armazenado e levado para outro local. Mas o projeto mostrou-se inviável devido ao custo. “Seria ideal porque eliminaria os aterros, porém o valor pedido pela empresa é muito alto. Estamos trabalhando para diminuir os custos, mas enquanto esta solução não chega temos trabalhado para adequar o aterro às normas ambientais”, finalizou.

 

Quer conhecer o Aterro Sanitário de Irati? Então clique aqui.

Colaboração, Rose Harmuch e Jordani Andrade