Rádio Najuá

O que é feito com o lixo doméstico recolhido em Irati?

18/07/11 - 16h08 - Atualizado em 18/07/11 - 16h08

Jussara Harmuch Bendhack

Depois das reportagens sobre o lixo reciclável e o reaproveitamento do óleo de cozinha usado, a Rádio Najuá mostra como é o processo de coleta e destino do lixo comum em Irati, que segue direto para o aterro sanitário.

Veja as fotos do aterro em 2011 acessando este link do álbum

Acompanhamos um trecho da coleta realizada com o caminhão do lixo doméstico/comum no bairro Rio Bonito em Irati. Conversamos com Marcelo, motorista do caminhão, Jeferson e Reginaldo, que fazem o trabalho de recolhimento do lixo nas casas e empresas. Os trabalhadores falaram das dificuldades no dia-a-dia da coleta. A falta de respeito de alguns veículos faz com que o serviço se torne um pouco perigoso. Eles também relataram que acontece de algumas pessoas insistirem para que levem o lixo reciclável, o que é proibido, pois a coleta deste material é feita separadamente. Outro ponto é o descaso de alguns moradores que acomodam o lixo de maneira incorreta ou em sacos muito frágeis, o que atrapalha na hora em que é transferido para o caminhão. Também acontece do lixo disposto pelas residências para a coleta acaba se esparramar e fica difícil para os coletores recolher. A pergunta é: |de quem é a responsabilidade quando isso acontece?


Caminhão que opera a coleta do lixo doméstico em Irati


Hoje, quatro caminhões  estão operando na coleta do lixo e outros quatro fazem a coleta do reciclável.

A mistura de lixo reciclável com o lixo doméstico/comum proporciona um pior aproveitamento da capacidade do aterro sanitário de Irati.




Aterro sanitário de Irati


No início de julho a reportagem da Najuá esteve no aterro sanitário de Irati localizado na região de Pinho de Cima, para onde segue todo o lixo (fora o reciclável) produzido na cidade.

Entrevistamos alguns moradores no local, como o Senhor Ângelo Laroca, que expuseram alguns fatores que os incomodam.

Para o senhor Ângelo Laroca que mora bem próximo do aterro, a reclamação é das moscas e mau cheiro durante a época do verão.

Renato, que mora na redondeza, disse que pessoas da cidade e do Caratuva vêm até o aterro para recolher o lixo reciclável que é despejado junto com o lixo orgânico e o rejeito (sobra de lixo que resultou do processo de separação do reciclável por não ser possível seu aproveitamento), com o objetivo de comercializá-lo. “Eles sabem os horários que os caminhões de lixo chegam e vem atrás para catar antes que a máquina cubra tudo”, disse. O problema também foi relatado por Ângelo Laroca.

Outro morador das redondezas disse que a vinda de pessoas para remexer o lixo do aterro acontece mais aos finais de semana e eles chegam até o aterro de carro.

Uma moradora contou que tempos atrás, a Polícia Militar já esteve no local fazendo um flagra. “Depois disso, eles pararam de vir, mas agora já estão voltando novamente”, afirmou.


Um caminhão do IAPAR leva o lixo produzido por eles, direto no aterro. Na prática, não há separação do material reciclável
Enquanto nossa equipe de reportagem estava no aterro, um caminhão do IAPAR – Instituto Agronômico do Estado do Paraná chegou e descarregou uma quantia de lixo.

Altevir, funcionário do Iapar, explicou que eles trazem o lixo porque o caminhão de coleta não passa na região onde o instituto está instalado – BR 277, divisa com o município de Fernandes Pinheiro.


Atitude - A diferença entre o dizer e fazer


Perguntado se sobre a separação do lixo, o funcionário do Iapar disse que fazem a separação do lixo. No entanto, ao observar o descarregamento, notamos que materiais plásticos e outros produtos recicláveis vieram junto com o lixo orgânico.

No caso de uma família que mora ao lado do aterro, a situação do destino do lixo é inversa. Eles aproveitam o lixo orgânico nas plantações, como adubo, e descartam o lixo reciclável, que segue para o aterro, porque não há coleta seletiva na região.

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Falta de água encanada é o maior problema

Os Ribeiros - Marilda e Leôndes Ribeiro reclamam da falta de água há 10 anos


A família Ribeiro mora ao lado do aterro sanitário. Conversamos com Leôndes e Marilda Ribeiro que vivem de plantação e trato de animal. Eles nos relataram que o maior problema que os afligem depois que o aterro foi instalado, também os demais moradores próximos, cerda de 10 famílias, é a falta de água encanada.

Marilda conta que eles tiveram que fechar o poço ao lado da residência para evitar a contaminação da água utilizada dentro de casa. Outro poço, distante 1 km da casa foi construído, e desde esta época – cerca de 10 anos – foi-lhes prometido água encanada (vereadores e a vice-prefeita Mariza), mas até agora não foi instalada. Eles comentam que a água poderia ser trazida através de tubulações, do poço artesiano que existe na comunidade de Pinho de Cima.

|Qualidade da água


A qualidade da água que eles usam atualmente é desconhecida. Leôndes disse que foi feita a coleta da água cerca de 5 anos atrás, mas o resultado da análise não lhes foi informado. Quando chove, Marilda tem que comprar água para beber na cidade, pois a chuva leva muita sujeira para o poço.

Distâncias Mínimas

• Núcleos residenciais – 500 m.
• Corpos Hídricos – 200 m.
• Aeroportos – 20 km.
• Lençol Freático – 3 m.

Os aterros sanitários de superfície são aqueles construídos em áreas planas, mais comum para pequenos municípios onde os resíduos são confinados em trincheiras executadas a partir da cota natural do terreno.

Esta técnica não é recomendada quando o lençol freático estiver próximo da superfície, pois com a escavação da trincheira, o lençol poderá entrar em contato com os resíduos efetivando sua contaminação.
Trabalho da máquina que cobre o lixo de terra

Uma máquina retroescavadeira é usada para cobrir o lixo que é despejado diariamente no aterro. A máquina é operada 8 horas por dia e escava terra de um terreno ao lado, que é carregada para a parte alta do aterro onde o lixo é depositado.

O funcionário da prefeitura que opera a máquina usada na cobertura do lixo do aterro, Sr. Amilton, explicou que quando chove os caminhões que descarregam o lixo não conseguem subir no topo do aterro porque atolam no barro, por isso, depositam o lixo em uma região ao lado, como aconteceu nos últimos 5 dias antes da reportagem, acumulando grande quantidade de lixo a céu aberto. Ele também disse que quando a máquina apresenta problema, a prefeitura aluga outra que executa o serviço até que a máquina própria seja consertada.


Colaboração: Arlete Marques