Rádio Najuá

Familiares e criminalística identificam corpo encontrado na baía de Guaratuba

18/10/19 - 18h32 - Atualizado em 18/10/19 - 18h32

Da Redação

Ramon Zofiak

Um homem que possui cultivo de ostras encontrou o corpo do jovem iratiense Ramon Zofiak, de 25 anos, na baía de Guaratuba, no litoral do Estado, na manhã desta sexta-feira, 18, por volta das 7 h. Depois disso, os bombeiros foram até o local com um barco e fizeram o resgate da vítima.

O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico-Legal (IML) de Paranaguá e acabou sendo reconhecido por familiares e a criminalística na tarde de hoje, 18. 

Ramon residia no bairro São Francisco e trabalhava em uma empresa que comercializa máquinas e implementos agrícolas. 

O Comandante do Corpo de Bombeiros de Guaratuba, Capitão Eziquel Roberto Siqueira, contou detalhes do resgate.

“Por volta das 7 h da manhã, na verdade, um senhor que é dono de um cultivo de ostras ali na ilha da pescaria visualizou um corpo já enroscado no manguezal, quando a maré baixa ele acaba ficando enroscado. Ali ele acionou o quartel nosso e a embarcação nossa foi e resgatou por volta das 7h10, 7h15, então quem visualizou realmente foi um senhor que é dono de um cultivo de ostras. O corpo foi levado até a base náutica nossa perto do ferry boat e já foi entregue para o IML”, afirmou Siqueira.

CLIQUE AQUI E RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS PELO WHATSAPP

PUBLICIDADE

Durante quatro dias, os bombeiros realizaram buscas para tentar localizar o corpo de Ramon. O trabalho teve início na manhã de segunda-feira, 14, e prosseguiu até o fim da tarde de quinta-feira, 17. “Durante todo o dia, embarcações e pessoal por terra estavam vasculhando a areia. A embarcação só fazia uma pequena pausa para o almoço e o pessoal retornava à tarde. No dia de ontem, 17, apenas que teve uma janela para a aeronave conseguir fazer o sobrevoo de Curitiba para o litoral. Ontem [quinta-feira], nós tivemos o apoio do helicóptero do grupamento aéreo BPMOA [Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas] de Curitiba. Então, o corpo rodou aproximadamente uns dois quilômetros do local onde ocorreu o afogamento e acabou entrando pela barra à baía de Guaratuba. Ele foi localizado próximo de uma ilha, ilha da pescaria, que é uma ilha dentro da baía de Guaratuba”, afirma o Comandante do Corpo de Bombeiros de Guaratuba.

Em entrevista à Najuá no início da semana, o Capitão relatou que no total seis pessoas se afogaram em duas situações distintas registradas ao mesmo tempo e bem próximas uma da outra na tarde de domingo, 13, em Guaratuba. Na manhã de segunda-feira, 14, outro rapaz de Guarapuava, identificado por Bruno Fiuzi Stori, de 21 anos, que também foi levado pela correnteza foi encontrado morto.

Conforme informações do jornal Gazeta do Povo, dois jovens que estavam juntos conseguiram fugir da correnteza após nadarem. Outro rapaz foi resgatado por banhistas, que chegaram a realizar um cordão humano para salvar as vítimas. O resgate foi registrado em fotos e vídeos compartilhados nas redes sociais.

PUBLICIDADE

Em postagens nas redes sociais durante a semana, familiares e amigos de Ramon reclamaram que não havia placas e bandeiras alertando sobre o perigo de se banhar no local onde o jovem se afogou. Cristofer Carneiro também questionou a falta de salva-vidas na praia e a demora para a chegada das equipes de resgate. "As bandeiras e placas foram colocadas após almoço da segunda-feira, dia 14/10. Está tudo gravado. Não tinha nenhum salva-vidas em lugar nenhum da praia, foram conferidas as câmeras de segurança, eles demoraram 12 minutos para chegar ao resgate, a primeira ambulância demorou cerca de seis minutos", escreveu Cristofer Carneiro em postagem no Facebook da Najuá, informando que existe uma gravação que comprova o fato relatado. 

De acordo com os familiares ao contrário do que foi inicialmente divulgado por veículos de comunicação, Ramon não foi para o litoral com uma excursão e estava acompanhado somente da namorada, que acabou sendo retirada do mar por banhistas e passa bem. Depois de ser atendida no Pronto Socorro da cidade, ela sentiu falta do namorado. Ambos foram para Guaratuba passar o feriado de Nossa Senhora Aparecida (12 de outubro). 

Siqueira relatou que não há posto de guarda-vidas no local fora de “temporada” (entre o fim do ano e o Carnaval), quando a circulação de pessoas na praia é maior devido ao calor e ao período de festas e férias escolares. Por isso, segundo ele, as placas poderiam estar em outro local, pois se moveram com a maré. Na semana passada, o morador de Guarapuava, Adonis Junior, de 33 anos, morreu ao se afogar no mesmo local que Ramon e outros banhistas foram levados pela correnteza. “Devido ao final de semana anterior, nós também termos dito problemas, ali foram instaladas algumas placas de perigo sinalizando o risco. Porém, com a variação da maré como elas foram deixadas essas duas semanas fixas foram deixadas mais nas proximidades da calçada. Como não tem posto de guarda-vidas aberto não tem guarda-vidas para ir descendo e subindo as placas conforme a variação da maré. Se elas forem deixadas na água, elas acabam sendo levadas. Então realmente tinha as placas, mas como elas estavam um pouco mais acima, o pessoal provavelmente não as percebeu”, disse o Capitão.

PUBLICIDADE

Siqueira revela que o Corpo de Bombeiros não dá conta de atender toda a praia de Guaratuba no período pré e pós Operação Verão, quando há reforço na quantidade de profissionais que atendem a população. Por esse motivo, ele repassa algumas dicas aos banhistas. “Realmente, o mar tem seus riscos. Porém, durante a operação Verão nós temos 29 postos de guarda-vidas só na região de Guaratuba. Porém, no período pré-operação Verão e Pós-operação Verão, a gente acaba com algum apoio externo abrindo alguns postos. Nós não conseguimos efetivamente cobrir a cidade toda. Porém, a orientação maior que nós damos é procure um posto de guarda-vidas identificado pelas bandeiras vermelhas sobre amarelas. Ali você e sua família terão condições seguras, inclusive estatisticamente falando que estarão seguros e nada de mal vai acontecer. Estando longe de um posto de guarda-vidas procure orientações de pessoas locais, surfistas, pescadores, enfim, para que saibam a condição do mar naquela região, enfim, todo o cuidado é pouco. Cuidado principal é em não conhecendo a região, não ir até a parte mais funda. O Corpo de Bombeiros sempre está disponível pelo telefone 193 para tirar qualquer dúvida, prestar informação, mesmo nesse período com poucos postos de guarda-vidas eles estão disponíveis para informação já referenciadas por eles no site do Corpo de Bombeiros do Paraná. Existe o aplicativo também do Corpo de Bombeiros que você pode baixar no celular, para você realmente saber onde tem os postos e ir até esses postos onde você vai ter a garantia que você vai ter um banho seguro para si e sua família”, finaliza o Comandante do Corpo de Bombeiros.

Outras banhistas se afogaram no mesmo local que Ramon 

Na segunda-feira, 14, mais duas mulheres, de 46 e 50 anos, que residem em Londrina, também se afogaram na Praia das Canoas, em Guaratuba. O policial militar da 3ª Companhia da Polícia Militar, Soldado Walesko, que estava de folga e aproveitando o dia no litoral com sua família, entrou no mar e resgatou uma das vítimas. Outro banhista realizou o resgate da segunda vítima.

Em entrevista à Rádio Litorânea, Walesko, falou sobre o incidente. “Eu estava tomando chimarrão na beira da praia quando visualizei duas mulheres, além da arrebentação, ainda comentei com o pessoal que havia viajado comigo que ia precisar entrar na água para salvar as duas porque eu notei que as duas estavam bem no fundo. Um minuto que eu falei eu notei que elas começaram a se afogar, próximo delas estava o filho e ele começou a gritar por socorro. Aí já de imediato entrei na água no intuito de salvar a banhista e no mesmo momento entrou outro banhista para ajudar. Daí eu falei para o mesmo para ele se deslocar em uma das mulheres que eu ia em outra. Conseguimos êxito de tirar as duas da água bem debilitadas e bem cansadas. Tiramos para a areia e chamamos apoio do Samu para prestar os primeiros socorros. Se a gente não chegasse nelas, elas iam desmaiar porque elas não estavam aguentando mais ficar nadando. Foi próximo da Pousada Atlântica, bem naquele parquinho, no trapiche, bem no local onde o pessoal se afogou ontem [se referindo ao afogamento de Ramon e outras pessoas no dia anterior]. Não tinha nada de sinalização. Graças a Deus fomos abençoados de salvar essas duas vidas”, afirmou o policial.