Rádio Najuá

Santa Casa irá retirar lixo hospitalar de terreno na Vila São João

07/06/14 - 09h31 - Atualizado em 07/06/14 - 09h31
Edilson Kernicki, com reportagem de Paulo Henrique Sava

O provedor da Santa Casa, Germano Strassmann, assim que soube nesta quinta (5) da denúncia de depósito irregular de resíduos hospitalares num terreno baldio próximo ao Condomínio Industrial da Vila São João, esteve no local para averiguar a situação. A direção do hospital constatou que a denúncia, de fato, procedia.

Medidas tomadas pelo executivo

Procurada na manhã desta sexta-feira (6) para prestar esclarecimentos sobre o descarte irregular do lixo, a prefeitura de Irati informou que foram realizados serviços de limpeza no terreno da Vila São João recentemente. Esse trabalho, segundo nota da secretaria de Comunicação Social, teve dois propósitos. Um deles diz respeito aos aspectos ambientais de responsabilidade do executivo e outro por se tratar de um espaço onde serão instaladas duas empresas no Condomínio Industrial de Irati.

Ainda na nota, a secretaria de Comunicação Social diz que algumas empresas e pessoas utilizaram o local para depósito de seus resíduos irregularmente, na última semana. Novamente a prefeitura afirmou que solicitou a cópia das imagens gravadas pelo sistema de monitoramento para identificar os responsáveis pelo descarte irregular do lixo. Por fim, o executivo afirma que todas as provas e documentos recolhidos serão entregues ao IAP.

Nesse intervalo de tempo, a direção da Santa Casa também já conversou com o chefe regional do IAP, Edemilson Luiz Quadros, a fim de solicitar permissão para remover o lixo hospitalar do local, o que já foi autorizado.

“Na sequência, nossa enfermeira foi fazer uma vistoria mais aprofundada e confirmou, com certeza absoluta, que parte daquele lixo encontrado era da Santa Casa e que grande parte dele era lixo reciclável e não contaminado. Diante dessa constatação, os resíduos estão sendo analisados, bem como está sendo investigado como eles foram aparecer lá, visto que o hospital tem empresas especializadas para cada tipo de resíduo”, justifica.

Strassmann também afirmou que até o início da tarde de sexta-feira (6) não foi convidado pelo secretário municipal de Meio Ambiente e Ecologia, Osvaldo Zaboroski, para assistir às imagens que podem indicar o responsável pelo descarte irregular. O fato foi comunicado ao prefeito Odilon Burgath na manhã desta sexta (6), que confirmou que era importante fazer a remoção e disse que alguém da Secretaria de Meio Ambiente auxiliaria o hospital nessa retirada dos resíduos. O provedor do hospital negou que tenha sido já notificado pelo IAP a respeito do descarte.

A Santa Casa informa que produz mensalmente 5,5 toneladas de lixo: 2,9 toneladas são de resíduos orgânicos recolhidos pela HMS; a empresa Atitude recolhe 1,5 toneladas de lixo contaminado e 700 kg correspondem a material reciclável.

“Ficamos realmente surpresos com o que vimos lá ontem. Providências já foram e serão tomadas. Inclusive serviu para nós de alerta. Sabemos da nossa responsabilidade”, reforça.

Lixo hospitalar recolhido pela Santa Casa
Hospital gera 2,9 toneladas de resíudos orgânicos mensalmente


 Programa de gerenciamento de resíduos

A gerente de enfermagem da Santa Casa, Cristiana Maria Schvaidak, que também é responsável técnica pelo plano de gerenciamento de resíduos, conta que existe dentro da Santa Casa um programa de educação continuada em que os funcionários são orientados quanto ao correto descarte desses resíduos.

“Não sabemos ainda e estamos averiguando se houve um descarte errado ou se lá dentro do abrigo do lixo houve um recolhimento incorreto. Mas diante disso, estamos refazendo uma educação continuada com todos os nossos cerca de 300 funcionários dentro da Santa Casa”, afirma.

Cristiana explica que o lixo é separado de acordo com o tipo de resíduo já durante sua geração. “Nos postos de trabalho das equipes de enfermagem, médicos e fisioterapia fazem a separação do lixo. Temos lixeiras dispostas em todos os postos de trabalho”, complementa.

Segundo Cristiana, a responsabilidade do hospital pelo descarte dos resíduos vai até o destino final. A empresa que descarta o material infectante, por exemplo, mensalmente emite um laudo técnico sobre a disposição final do lixo: se foi incinerado, se foi para um aterro, enfim, que tratamento recebeu. A responsabilidade pelo lixo é da Santa Casa até seu destino final, mas também é responsabilidade da empresa durante seu transporte até o descarte. O lixo infectante, conta a gerente de enfermagem, é levado pela empresa Atitude até o município de Dois Vizinhos (PR).

Já o lixo comum vai para o aterro sanitário, recolhido pela HMS. Em relação ao reciclável, Cristiana conta que, recentemente, o hospital iniciou uma campanha pelo recolhimento do filme de raio-X, porque é um lixo químico que não pode ser descartado com o comum. “Temos uma parceria com a SEPAC quanto ao lixo reciclável, em que fazemos a substituição do papel por papel higiênico. Temos ainda o papelão e o plástico, que vai para a associação de catadores daqui do município”, explicou.

Providências


O diretor financeiro do hospital, Sidnei João Barankievicz, afirma que uma das providências a serem tomadas a partir de agora é procurar o pessoal que recolhe o lixo reciclável e, se por ventura, levarem algum material que não é reciclável, eles serão orientados a devolver à Santa Casa para ser feita a destinação correta.

“O que pudemos observar lá no aterro é que mais de 90% do lixo é reciclável. O que acontece é que como o pessoal que levou esse lixo não conseguiu dar o destino correto, acabou por descartar, talvez por ver que outras empresas também já descartaram ali certa quantidade de lixo e acharam por bem jogar ali. Não sabemos ao certo, mas vamos investigar. E a orientação será essa: levou um lixo reciclável do hospital e não conseguiu dar um destino correto, nos devolve para encaminharmos para incineração”, conta.

Segundo Barankievicz, uma vez identificados os responsáveis pelo descarte inadequado, será feita uma orientação para que o caso não se repita.

“O frasco de soro encontrado lá, sem nenhuma medicação, apenas soro fisiológico é um plástico reciclável, sim. Se ele recebeu alguma medicação, dentro do hospital já fazemos sua separação dentro do ambiente infectante. Observamos que lá havia frascos de soro, porém, sem medicação, o que o caracteriza como lixo reciclável, assim como as embalagens de antibióticos”, argumenta Cristiana.

Ela explica que é considerado reciclável apenas o material limpo. Tudo aquilo que precisa passar por algum processo de lavagem antes do descarte é considerado material infectante.

Strassmann admite que houve falha nesse descarte e espera que o erro não se repita. “Temos por hábito não criar problema ambiental nenhum, tanto que não deixamos a cargo da prefeitura a limpeza das ruas em volta do hospital. Nós mesmos fazemos. E temos programas em andamento, exatamente para que isso não acontecesse. Por isso nossa surpresa. As providências já estão sendo tomadas em todos os sentidos, inclusive a própria remoção iniciada hoje mesmo”, ressalta.

“Fica difícil assumirmos a culpa toda, afinal de contas, parte do lixo nós constatamos que foi levado da Santa Casa mesmo. Mas não tem como constatarmos antes de verificar as imagens e assumirmos a culpa dizendo que todo aquele lixo hospitalar é da Santa Casa. Mesmo assim, nos comprometemos e vamos ajudar a Prefeitura, com os nossos funcionários, a fazer o recolhimento de todo o lixo hospitalar que está naquele terreno e dar a destinação devida”, reforma Barankievicz.