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11/04/18 - 16h43 - atualizada em 11/04/18 às 20h27

Delegado de Rebouças quer pleitear vaga na Câmara dos Deputados

Eduardo Mady Barbosa concorreu nas eleições municipais de 2016 ao cargo de vereador e ficou como 1º suplente do PDT

Edilson Kernicki, com reportagem de Paulo Henrique Sava 

Ainda que tenha ficado como suplente do PDT na Câmara de Vereadores de Rebouças em 2016, por uma diferença de apenas quatro votos em relação ao eleito pela sigla, Antonio Padilha, o delegado titular da Delegacia de Rebouças, Eduardo Mady Barbosa, revela sua intenção em pleitear uma cadeira na Câmara dos Deputados nas eleições de 2018. O próprio delegado reconhece que é um desafio e tanto para quem teve 237 votos (2,37% do total de votos válidos). O delegado já está afastado do cargo para poder concorrer no pleito, devido à exigência de desincompatibilização de seis meses antes das eleições.

Na quarta-feira passada (4), o delegado esteve com o pré-candidato ao governo do Estado, pelo PDT, Osmar Dias. O partido está em tratativas com outras siglas, como o PMDB de Requião, também pré-candidato, e com o Solidariedade. Barbosa acredita que o PDT paranaense exerça um “apoio branco” à candidatura de Alvaro Dias à presidência pelo Podemos, visto que o PDT tem candidato próprio: Ciro Gomes. “É de interesse do próprio Ciro Gomes que o Alvaro saia candidato, porque ele tira votos do PSDB”, arrisca.

Por solicitação de Osmar Dias, a região de Irati deve ter outros candidatos próprios a deputado, a exemplo do ex-prefeito de Irati, Odilon Burgath, aposta o pré-candidato.

Eduardo entrou para o Exército Brasileiro em 1986 e é 1º tenente da Reserva e, desde 1994, é delegado da Polícia Civil do Paraná. Inclusive, Eduardo Mady Barbosa já foi delegado na 41ª Delegacia Regional de Polícia de Irati. A intenção do delegado em disputar um cargo no Legislativo foi motivada por dois aspectos, segundo ele. O primeiro é estar “de saco cheio” de ouvir políticos falarem de segurança pública sem efetivamente resolver seus problemas. “Vemos a cada dia aumentarem os índices de criminalidade. Tanto a Polícia Civil quanto a Polícia Militar não recebem os recursos necessários para que possa praticar a segurança pública”, diz.

A segunda razão é um indicativo da classe. “Preocupados com esse desmando, com essa falta de gestão na segurança pública, acabaram me indicando como representante da Associação dos Delegados de Polícia. Acredito que esse será o ano mais politizado entre os policiais. Vários vão sair candidatos, tanto da Polícia Civil quanto da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Polícia Federal, porque eles estão cansados de gente que não tem conhecimento da questão da segurança pública fazer projetos, leis ou até investimentos que não levam a lugar nenhum. Os índices de criminalidade estão terríveis, aumentando dia a dia”, ressalta.

Eduardo Mady Barbosa, delegado da Polícia Civil de Rebouças, anunciou sua pré-candidatura a Deputado Federal pelo PDT nas eleições de 2018

Eduardo acredita que um aspecto da segurança pública que precisa mudar é priorizar investimentos. Segundo ele, os investimentos ficam em segundo plano, em detrimento à legislação e alterações na lei, criadas às pressas, por políticos medíocres, sempre que há um crime que gere comoção nacional. O delegado defende, aliás, que seja feito maior investimento em policiamento preventivo.

Um dos pontos polêmicos da segurança pública que o delegado destaca em todas as entrevistas que concede diz respeito às infrações cometidas por menores. O pré-candidato ressalta que há uma falha estrutural que impede a efetiva responsabilização dos adolescentes pelos crimes cometidos por eles. Faltam vagas nos Centros de Socioeducação (Cense). Conforme o delegado, quando houve a elevação da antiga 2ª Companhia do 1º BPM à categoria de 8ª Companhia Independente da Polícia Militar (8ª CIPM/4º CRPM), com sede em Irati, em 2010, a Polícia Civil também deveria ter ganho uma nova Subdivisão Policial (SDP).

Irati e região ainda hoje estão na circunscrição da 13ª SDP, com sede em Ponta Grossa. Os menores condenados por atos infracionais são encaminhados ao Centro de Socioeducação (Cense) Regional de Ponta Grossa, na verdade, quando há vagas. Se Irati, na condição de pólo regional, fosse já uma sede de uma SDP, poderia ter seu próprio Cense e um Centro de Detenção Provisória, conforme o pré-candidato. Os Censes foram criados para zerar o número de adolescentes nas carceragens das delegacias do Estado, mas não há vagas suficientes. O de Ponta Grossa, aliás, reduziu a capacidade de atendimento em 2016. “Se tivesse esse educandário, diminuiria essa sensação de impunidade”, frisa. Conforme o pré-candidato, não há como ampliar a pena máximo ao adolescente infrator – que hoje é de três anos – sem vagas suficientes nos Censes e sem previsão orçamentária para ampliar essas vagas.

Questionado sobre o que falta para que Irati possa um dia vir a se tornar uma SDP, o pré-candidato é taxativo: investimento em estrutura. Nos últimos anos, o atual governo direcionou poucos recursos para a Polícia Civil da região, que é carente de investimentos: uma viatura para Imbituva; uma para Teixeira Soares; três para Irati. Rebouças não recebeu nenhuma durante o período.

“Quando fui delegado em Campo Mourão, em 1996, éramos em cinco delegados. Se houvesse três homicídios no ano, caía um delegado. Hoje deve ter 20 ou 30 [homicídios] e tem dois delegados. Temos cidades maiores que, se fossem em São Paulo, teriam oito delegados e têm um. Irati tem um, e é uma [Delegacia] Regional. Não foi investido nada. Falta pessoal. Temos vários investigadores que estão para se aposentar e não têm previsão de vir ninguém. É uma total catástrofe”, compara o pré-candidato.

Eduardo atribui a não-consolidação de uma SDP em Irati à falta de representatividade política da região no Estado e em nível federal – o que, como ele aponta, é uma das razões para se candidatar. “Irati deveria ter uma Subdivisão Policial não só pela demanda que temos aqui, mas pela extensão da área de Ponta Grossa [a 13ª SDP], porque estamos muito distantes de lá. Deveríamos ter, no mínimo, um Centro de Detenção Provisória ou estarmos na previsão do governo para vir um Centro de Detenção Provisória, e tirar essa cadeia pública, que é uma vergonha. A hora que eu entro na Delegacia de Polícia de Irati e vejo aquela cadeia, aquela estrutura, eu tenho vergonha. Tenho mais vergonha ainda dos políticos que dizem que nos representam”, critica.

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