Irati e Região / Notícias

13/06/18 - 10h29 - atualizada em 13/06/18 às 11h40

Reunião discute custos para implantação do SAMU

Valor que será necessário para implantação do serviço gerou debates acalorados

Karin Franco/Hoje Centro Sul 

Representante de Políticas de Urgência e Emergência da Secretaria Estadual de Saúde, Vinícius Filipak (foto), falou sobre regulamentação do SAMU durante reunião na Câmara de Irati

O custo para ter o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) na região de Irati foi um dos principais assuntos no Fórum de Discussão da Implantação da Rede de Urgência e Emergência da Região de Irati, realizado na sexta-feira (8), na Câmara de Irati.  

A reunião contou com uma explanação sobre o serviço feita pelo representante de Políticas de Urgência e Emergência da Secretaria Estadual de Saúde, Vinícius Filipak, que apresentou dados sobre a região e também sobre a regulamentação do serviço. O objetivo foi sanar dúvidas quanto ao serviço realizado no estado.

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Na apresentação, ele mostrou que apenas no ano passado aconteceram 99 mortes por causa de infarto, sendo que 21 delas foram de pessoas com menos de 60 anos. Segundo ele, o objetivo é incluir o serviço na região para atender os casos e diminuir os números. “Nós temos 88% do estado do Paraná que já conta com o serviço do SAMU funcionando há bastante tempo e nós precisamos implantar esse restante de 12% do qual faz parte a população de Irati e região”, explica.

Custos

Para que Irati tenha o Samu, será necessário que o município invista R$ 120 mil mensais nos primeiros meses de implantação até que o serviço esteja habilitado. Após a habilitação, o município começará receber recursos do estado e da União que poderão diminuir o valor mensal. O valor que o município terá que desembolsar foi um dos principais fatores discutidos na reunião, que chegou a ter debates acalorados. Entre as críticas, está o fato de que não há previsão de onde os recursos sairão.

O vereador Roni Surek (PROS) afirmou que é favorável à vinda do SAMU para a região, mas é necessário que o município tenha recursos para oferecer este serviço. “Tem dinheiro, tem SAMU. Não tem dinheiro, não tem SAMU. É simples”, disse.

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O comandante do Corpo de Bombeiros de Irati, capitão Jorge Augusto Ramos, relatou que a instituição é favorável ao SAMU, mas que há a preocupação para que seja bem implantado. Ele ainda chamou a atenção para necessidade de investimento da Santa Casa de Irati que poderia tratar casos que são tratados fora do município. “Até quando vamos levar paciente para Ponta Grossa? Nós não deveríamos ter transporte de aeronave em Irati. Nós poderíamos levar à Santa Casa e resolver”, disse.

Aspectos humanitários e de necessidades foram discutidos na reunião. Para Vinicius Filipak é preciso analisar mais que somente o custo. “Quando nós temos um serviço pré-hospitalar como o SAMU funcionando, as pessoas serão atendidas com mais rapidez e serão direcionadas aos serviços de saúde definitivos, mesmo não sendo aqui em Irati ou nos hospitais na região, quando o tratamento que elas precisam só pode ser feito em hospitais complexos. Portanto, esse custo não pode ser analisado apenas quanto custa cada ambulância. Nós temos um sistema de saúde, uma rede de urgência e o objetivo desta rede é colocar o paciente certo, no local certo, no tempo certo”, disse.

A secretária de Saúde de Irati, Magali Salete de Camargo, afirmou que é preciso fazer ajustes e que há a proposta da Câmara de Irati ajudar com seu orçamento próprio. “Vamos ter que fazer algum ajuste. Talvez nós, da Secretaria de Saúde fazer alguns ajustes, talvez a própria administração municipal fazer ajustes em outras secretarias. Mesmo com o índice acima do percentual exigido de 15%, mas é necessário nesse momento. E a própria possibilidade da Câmara ser parceira, de viabilização desse recurso. Tudo isso é um estudo, é uma proposta, que está sendo avaliada”, disse.

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A secretária também destacou que Irati é livre, caso não consiga mantê-lo. “Nós somos livres para ir e vir, então se mais tarde esse serviço for inviável, o município tem como sair do SAMU”, disse.

Quase no fim da reunião, o prefeito de Irati, Jorge Derbli, foi enfático ao dizer que se o projeto for aprovado no Conselho Municipal de Saúde e na Câmara de Vereadores, a responsabilidade de implantar o serviço é do chefe do Executivo. Ele se referia à legislação apresentada que regulamenta o SUS, que obriga o município a se organizar em rede, oferecendo o serviço à população. “Há a necessidade, e a promotoria pública vai apertar o prefeito que é o único responsável pela saúde. Não vai ser a sociedade, não vai ser o Observatório, o Conselho de Saúde, não vão ser os vereadores , vai ser o prefeito que vai ter que usar a caneta dele. Cria-se ou não cria-se. Se cria vai ter que ter dinheiro, se não cria, ele está ferrado”, disse

Atualmente um projeto de lei está sendo analisado pelo Conselho de Saúde. Se aprovado nesta instância, ele deverá seguir à Câmara Municipal, onde também será discutido e colocado em votação. Somente após esses passos, Irati poderá integrar a rede do SAMU.

Fórum de Discussão da Implantação da Rede de Urgência e Emergência da Região de Irati aconteceu na Câmara de Irati na sexta-feira (8)

Região

Para que a rede do Samu funcione na região, a Câmara de cada município precisa aprovar o projeto que permite a entrada de seu município em um consórcio para viabilizar o SAMU. Na região, os projetos já foram aprovados em Imbituva, Fernandes Pinheiro e Rebouças. Teixeira Soares, Mallet e Rio Azul ainda estão com os projetos sendo analisados pelos vereadores. Guamiranga e Irati ainda não enviaram as leis para apreciação dos vereadores.

Após isso, há ainda a fase burocrática até de fato o município estar com o SAMU instalado. “A próxima fase é a habilitação do SAMU. Essa habilitação vai depender muito dos gestores de saúde. Ela pode levar de três meses a um ano. Isso depende da agilidade de cada gestor de saúde. Depois da habilitação vem a fase de qualificação, depois que o serviço está sendo feito nas regiões”, explica a diretora da 4ª Regional de Saúde, Jussara Kublinski.

Para que o SAMU funcione em Irati, a prefeitura deverá ter um local que será a base do serviço. O local precisa ter um alojamento para a equipe e espaço para as ambulâncias. Não há local escolhido, nem valor de quanto será investido nisto, apenas que Irati será responsável por custear.

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Além disso, nos primeiros meses em que o serviço será implantado, Irati terá um custo aproximado de R$120 mil mensais para o funcionamento. Isso porque é previsto que para manter o SAMU na região haverá o custo mensal de R$2 por habitante. O valor pode aumentar ou diminuir, dependendo quantos municípios estiverem no consórcio.

Este valor será pago integralmente pelo município até a fase de habilitação, que pode durar de três meses a um ano. Após isso, recursos estaduais e federais são repassados aos municípios, diminuindo o valor mensal. A estimativa é que o valor mensal em Irati possa diminuir para cerca de R$ 20 mil.

Custo para implantação do SAMU gerou debates entre gestores municipais e população que participou da reunião

Proposta

Na proposta, Irati fará parte de um consórcio de 28 municípios da região dos Campos Gerais que ajudarão mutuamente para custear e gerenciar o SAMU.

Irati terá uma base de UTI móvel e uma ambulância com suporte básico, similar às que o município possui. Já Imbituva, Inácio Martins e Rio Azul também terão uma ambulância de suporte básico. 


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