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23/11/16 - 15h02 - atualizada em 23/11/16 às 15h11

Recursos de penas alternativas podem ser aplicados na unidade do Erasto em Irati

Possibilidade foi debatida pela superintendência do Hospital Erasto Gaertner e pela ANAPCI com o Judiciário de Rebouças

Da Redação, com reportagem de Jussara Harmuch

Ieda Waydzik faz parte da comissão de acompanhamento da instalação do braço do Erasto em Irati
A ex-presidente da Associação do Núcleo de Apoio ao Portador de Câncer de Irati (ANAPCI), Ieda Waydzik, e o superintendente do Hospital Erasto Gaertner e da Liga Paranaense de Combate ao Câncer, Adriano Lago, se reuniram recentemente com o juiz James Byron Weschenfelder Bordignon, da Comarca de Rebouças, para debater a possibilidade de aplicar as pecúnias em favor da implantação da Unidade Avançada do Hospital Erasto Gaertner em Irati.

As pecúnias correspondem à conversão financeira de penas alternativas, como prestação de serviços ou multa, para infrações de menor potencial ofensivo. A pecúnia geralmente é devolvida ao Governo Federal, mas existe a opção de os Fóruns destinarem os valores arrecadados em benefício da Comarca em que o fórum se situa. O juiz Bordignon, da Comarca de Rebouças, se comprometeu a estabelecer um diálogo com os demais juízes das Comarcas da região, a fim de destinar as pecúnias em favor de Irati, tendo em vista que a Unidade Avançada do Erasto Gaertner vai atender a pacientes de toda a região e não somente de Irati, o que é, aliás, prerrogativa do Governo do Estado. Assim, seria formado um consórcio que reuniria as Comarcas de Mallet, Rebouças, Teixeira Soares, Imbituva e Irati – que incluem entre si os demais municípios da 4ª Regional de Saúde.

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“É uma exigência do Estado, desde o primeiro momento em que se tratou da implantação desse atendimento em Irati, que fosse regional. Não é nada somente para Irati, é para toda a região da Amcespar; e talvez se inclua Prudentópolis”, comenta Ieda. Conforme a ex-presidente da ANAPCI, o município de Irati foi escolhido para sediar a primeira Unidade Avançada do interior devido à alta incidência de casos de câncer, fato que pode fazer com que Prudentópolis, onde o número de portadores de câncer também é expressivo, também seja atendida.

Comissão de acompanhamento

Há duas semanas, a ANAPCI e o Erasto Gaertner celebraram um novo convênio e foi nomeada uma comissão para acompanhar de perto os procedimentos. A comissão funciona em paralelo à presidência da ANAPCI, para que não se sobrecarregue com mais essa atribuição, de acordo com Ieda, que integra o Jurídico da comissão. Uma das funções da comissão que foi constituída é a de auxiliar a instituição a captar recursos para permitir a implantação e funcionamento da Unidade Avançada do Hospital Erasto Gaertner. Uma das alternativas de arrecadação foi discutida e aprovada na Câmara de Irati: a destinação da sobra de recursos do legislativo para construção dessa Unidade.

Custeio da unidade

O acordo inicial, que previa que o Estado forneceria mobiliário e equipamentos necessários à implantação da Unidade Avançada e que os municípios atendidos dividiriam entre si as despesas de manutenção (em torno de R$ 250 mil mensais), mudou. “A partição de encargos foi alterada pelo próprio Estado, que resolveu arcar com o custo mensal. Sobrou, então, para os municípios, nos ajudar com o valor para fazer a instalação”, explica Ieda, que enfatiza que a qualidade de atendimento da Unidade Avançada em Irati será a mesma do Hospital em Curitiba, referência estadual no tratamento oncológico.

A previsão é a de que o atendimento na Unidade Avançada reduza os gastos com deslocamento de pacientes até Curitiba, pois as consultas ambulatoriais e a quimioterapia – por infusão intravenosa e oral poderá ser feito em Irati. O atendimento de pacientes com doenças hematológicas (como a leucemia), pacientes pediátricos e aqueles que necessitam de cirurgia ou radioterapia ainda ocorrerá em Curitiba. A estimativa da Liga Paranaense de Combate ao Câncer é a de que até 85% dos pacientes da região da 4ª Regional de Saúde consigam ser atendidos na Unidade Avançada. Hoje são aproximadamente 200 pacientes da região, em tratamento, sendo atendidos no Hospital Erasto Gaertner.

Segundo Ieda, a ANAPCI também promoverá cursos de capacitação para os acompanhantes dos pacientes em tratamento oncológico. “É uma alegria muito grande para a ANAPCI, pois desde o início, nesses 11 anos de existência, era um sonho trazer o tratamento para mais perto do nosso paciente”, diz Ieda.

Mudança

Com a cessão do atual imóvel para acolher a Unidade Avançada do Erasto Gaertner, a ANAPCI deve buscar um novo local para sua sede, até pela mudança de perfil que a entidade sofrerá, de acordo com Ieda. “Estamos procurando um imóvel que seja adequado para que possamos colocar a ANAPCI, que vai passar por uma transformação. Hoje, nosso atendimento abrange esses pacientes que estão em quimioterapia ou radioterapia e que vão até Curitiba. Na verdade, agora, vão ser [atendidos] todos os pacientes que vierem fazer tratamento aqui  e que não tiverem onde ficar, vão ter uma casa de apoio que os atenda, os pacientes e seus acompanhantes”, explana.

Por isso, a ANAPCI vai precisar de um imóvel com espaço para crescer no futuro. “Imagino que nosso atendimento vai se multiplicar muito. Continuamos com 80 a 86 famílias, com atendimento com cestas básicas, e o pessoal que vem fazer os pernoites. Isso vai crescer muito. Estamos já nos preparando, internamente, porque nossa missão será modificada bastante”, comenta a ex-presidente da ANAPCI.


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