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28/11/18 - 02h32 - atualizada em 28/11/18 às 10h41

Recarga de carros elétricos pode ser feita em Fernandes Pinheiro

Eletroposto da Copel e Itaipu Binacional está em operação desde outubro, em estação instalada no km 233 da BR-277, no posto Anila

Edilson Kernicki, com reportagem de Rodrigo Zub e Tadeu Stefaniak e informações da AEN 

Fotos: Tadeu Stefaniak, jornal Hoje Centro-Sul e AEN


A Copel e a Itaipu Binacional inauguraram, em 15 de outubro, o quatro eletroposto da primeira eletrovia do Paraná, a rede de postos de recarga para carros elétricos, que liga o litoral a Foz do Iguaçu, no extremo Oeste. A estação de recarga está instalada no posto Anila, em Fernandes Pinheiro, no km 233 da BR-277.

A nova unidade é a quarta a ser colocada em funcionamento, desde o lançamento do projeto, em março. A eletrovia terá, ao todo, 11 eletropostos. O primeiro fica no polo da Copel em Curitiba, no km 3 da BR-277. O segundo, em Paranaguá, também foi instalado na agência da Copel. Na outra ponta, o terceiro foi inaugurado em Foz do Iguaçu, em frente ao Centro de Recepção de Visitantes da Usina de Itaipu, em agosto. Até o final do ano, os demais sete postos devem ser inaugurados, integrando toda a BR-277 e permitindo viajar de carro elétrico cortando o Estado do Paraná de Leste a Oeste.

“A concretização de uma infraestrutura preparada para os veículos elétricos em uma via importante como esta é um grande passo para o fomento desse mercado”, acredita o presidente da Copel, Jonel Iurk. Na primeira eletrovia paranaense, são mais de 700 quilômetros que podem ser percorridos por veículos elétricos, uma vez que as unidades de recarga estarão todas posicionadas em pontos estratégicos, determinados segundo a autonomia dos carros deste tipo disponíveis no Brasil.

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Carga gratuita

Cada eletroposto terá 50 kVA (kilovoltampere) de potência – o equivalente a dez chuveiros elétricos ligados simultaneamente – e três tipos de conectores, próprios para atender os modelos de carros elétricos ou híbridos vendidos no nosso território. As estações serão todas de carga rápida e gratuita: levará entre meia e uma hora para carregar 80% da bateria da maioria dos carros elétricos. Esses modelos rodam de 150 a 300 quilômetros a cada carga.

O investimento da Copel no projeto é de R$ 5,5 milhões e, da Itaipu, de R$ 550 mil. Neste momento, o abastecimento é gratuito. No eletroposto do Anila, basta o motorista pedir ao gerente que libere o uso para poder abastecer.

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Os demais eletropostos devem ser instalados ao longo da BR-277, nos municípios de Medianeira, Cascavel, Laranjeiras do Sul e Guarapuava.

O superintendente de Smartgrids (redes inteligentes) e de Projetos Especiais da Copel Distribuição, Júlio Omori, explica que o objetivo inicial da Copel é avaliar o impacto dos eletropostos na rede, identificar as dificuldades no processo de recarga rápida dos motores dos veículos elétricos e observar detalhes de instalação e mensurar as dificuldades que uma pessoa pode enfrentar ao percorrer uma estrada da dimensão da BR-277, de mais de 700 quilômetros de extensão.

Sobre a escolha de Fernandes Pinheiro para receber um dos 11 eletropostos, a Copel dividiu a extensão da BR-277 em trechos que façam com que um posto não fique a menos de 100 quilômetros do próximo. “O primeiro posto foi colocado em Paranaguá, depois viemos justamente com essa lógica de não deixar mais do que 100 quilômetros para deslocamento, tendo em vista que a carga rápida da bateria se dá em apenas 80% de sua carga total – o que é feito em menos de 20 minutos”, conta.

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O segundo critério para a escolha do posto Anila como um ponto estratégico para a instalação do entreposto é justamente o fato de já ser um local de parada dos motoristas. “O segundo ponto foi tentar aferir junto a locais onde já tivesse a possibilidade de paradas, tendo em vista o fato de que integraria fazer uma parada e já ter um ponto de alimentação ou de descanso ou mesmo de abastecimento de combustível normal. Dessa forma, poderíamos integrar um local onde tivesse segurança e também atendimentos, se possível, 24 horas”, acrescenta.

Representantes da Itaipu, Copel e proprietários do posto Anila inauguraram eletroposto em outubro

Carga rápida

Entre as vantagens desse novo sistema está a possibilidade de recarga rápida. “Normalmente, os veículos elétricos têm condições de dar cargas lentas [de mais de seis horas], cargas semirrápidas [mais de uma hora] ou cargas rápidas [de 15 a 20 minutos]. Sempre falando de 80% da carga nominal da bateria”, detalha o superintendente de Smartgrids da Copel.

Os equipamentos de carga rápida drenam a potência elevada da rede. “Dificilmente, teremos, no futuro, em nossas casas, um carregador desse. Mas, para deslocamentos de longa distância, viagens intermunicipais, não temos dúvida de que os pontos de recarga têm que ser rápidos. É inconcebível alguém que esteja fazendo uma viagem dessa, de Curitiba a Foz do Iguaçu, por exemplo, ter que fazer mais de seis horas de recarga em determinado ponto”, avalia.

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Procedimento de recarga de carros elétricos é feito de forma simples. Ou seja, o próprio motorista tem autonomia para usar o dispositivo

Popularização

O mercado nacional ainda tem apenas quatro modelos de automóveis 100% elétricos: BMW i3, Renault Zoe, Nissan Leaf e Chevrolet Bolt.Os valores, no entanto, ainda são um pouco salgados – variam de R$ 150 mil a R$ 200 mil, em modelos básicos. Eles foram destaque no 30º Salão do Automóvel, em São Paulo, entre 8 e 18 de novembro. Nos Estados Unidos, um modelo básico sai por US$ 37.500,00 (R$ 142.402,50, comparável ao preço praticado no Brasil).

Desde 2012, já circulavam por aí os mini-elétricos Twizy, da Renault, veículos semelhantes a quadriciclos, extremamente compactos, sem porta-malas. Importado, o modelo custa em torno de R$ 65 mil no Brasil (com taxas e frete). É vendido por preços a partir de 7.690 euros na Europa (R$ 33.260,00, ou seja, a metade do valor cobrado por aqui).

Omori, no entanto, vê de forma otimista a perspectiva de popularização dos automóveis elétricos em médio prazo. “É uma questão de menos de cinco anos para que tenhamos uma frota de veículos elétricos considerável – vendas de veículos que passem de 10% do total geral. O volume de lançamentos de veículos elétricos já, para o próximo ano, no Brasil, surpreende”, diz.

Ele também acredita que o volume de vendas deve crescer, fazendo com que os preços reduzam. Entre outras vantagens, Omori aponta o custo de manutenção reduzido e a redução na emissão de gás carbônico (CO2) na atmosfera, por não utilizar combustíveis fósseis.

Gerente do posto Anila, Rafael Schuck, destaca que o estabelecimento oferece comodidade e conforto ao usuário que espera a finalização da recarga

Primeiro fora da Copel e da Itaipu

O eletroposto de Fernandes Pinheiro, no Anila, foi o primeiro a ser instalado fora das dependências da Copel ou da Itaipu Binacional. O gerente Rafael Schuck destaca que o local, por suas características, oferece comodidade e conforto ao usuário que espera a finalização da recarga.

“A empresa aqui trabalha das 7h às 23h, mas o eletroposto fica ligado 24 horas. Se alguém tiver necessidade, pode chegar. O local está à disposição”, diz.

Há três conectores disponíveis no eletroposto do Anila: um utilizado pelos modelos da Renault; outro da BMW e o terceiro, dos modelos chineses. “Em princípio, são lançados esses três padrões de tomadas”, acrescenta.

Uma das vantagens é que, diferente do abastecimento com combustíveis como gasolina e álcool, o abastecimento de veículo elétrico dá autonomia ao motorista, que não depende de um frentista. O próprio condutor pode conectar o carro no ponto de recarga. No caso de um posto de combustíveis, o auto-serviço (self-service) é proibido, pela lei federal 9.956/2000: o funcionamento das bombas é condicionado à presença de um frentista e a lei determina multas e até o fechamento do posto se a norma for descumprida. “Os proprietários de carros elétricos já sabem como funciona e sabem como manusear o equipamento”, comenta.

Schuck acredita que, dentro de dois ou três anos, deve sair a regulamentação sobre a cobrança para recarga de automóveis elétricos. Por enquanto, esse abastecimento é gratuito. “Não é cobrado, até para ter um incentivo para viabilizar e popularizar. Mas acredito que, no futuro, vai ser cobrado”, afirma.

Frentista Arilson mostra que existem três conectores disponíveis no eletroposto do Anila: um utilizado pelos modelos da Renault; outro da BMW e o terceiro, dos modelos chineses

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