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11/03/16 - 00h47 - atualizada em 11/03/16 às 03h05

Projeto para instalação de "braço" do Erasto será apresentado na próxima semana

Unidade será a 1ª a ser construída fora de Curitiba
Da Redação, com reportagem de Jussara Harmuch, Rodrigo Zub e Paulo Henrique Sava

Foto retrata como ficaria a unidade do Erasto depois de pronta em terreno no bairro Riozinho
O sonho da população de Irati de ter uma unidade hospitalar que atenda casos de câncer no próprio município pode estar próximo do fim. Na próxima semana, a diretoria do Hospital Erasto Gaertner irá apresentar o projeto de instalação de um “braço” da instituição no município.

Havia a informação de que uma reunião entre representantes da Secretaria de Estado da Saúde (SESA) e representantes do hospital discutiriam o projeto em uma reunião em Curitiba nesta semana, mas a notícia não se confirmou. Na quarta-feira, 9, houve um encontro entre o governador Beto Richa, o superintendente do hospital, Adriano Lago, o secretário da Saúde, Michele Caputo Neto, que teve a participação da secretária do Trabalho e Desenvolvimento Social, Fernanda Richa, em que o governo estadual se comprometeu em repassar R$ 9 milhões para a construção do Hospital Oncopediátrico Erastinho, em Curitiba, anexo ao Hospital Erasto Gaertner. Segundo o chefe da 4ª Regional de Saúde, João Almeida Junior, o governador comentou sobre a instalação do “braço” do Erasto Gaertner em Irati, durante a reunião. Além disso, foi definido que o projeto será apresentado aos prefeitos da região em uma reunião na próxima semana.

A apresentação do projeto já havia sido feita no fim do ano passado para os prefeitos da região, durante reunião realizada nas dependências da Amcespar. Esta será a 1ª unidade do hospital a ser construída no interior do Estado.

João Almeida lembra que uma comitiva do hospital visitou alguns locais em Irati, como a Santa Casa, a ANAPCI, três áreas ofertadas pela Prefeitura, além do terreno oferecido pelo empresário Jorge Derbli durante a reunião com os prefeitos em novembro. “Eles [Secretaria de Estado da Saúde] deram prazo de um mês para o hospital refazer toda a adequação, todo o projeto e apresentar todos estes custos, apresentando os benefícios para a população e a capacidade de atendimento”, destacou o chefe da 4ª Regional. Segundo ele, esse prazo termina nesta sexta-feira, 11.

Custeio da nova unidade

Conforme João Almeida, o projeto já foi protocolado na SESA, que vai ser a principal parceira no custeio da unidade iratiense. Ele destacou que, na próxima semana, haverá uma reunião com representantes do hospital, com o Secretário de Estado da Saúde, Michelle Caputo Neto e técnicos da SESA. Esta comissão analisará dados de custeio e quais atendimentos serão prestados em Irati.

De acordo com o chefe da 4ª Regional de Saúde, diversos “atores” estão envolvidos neste processo, que não é simples. “O Erasto é um hospital com mais de 50 anos de idade, é tradicional em todo o território nacional, e depois de vários anos, de vários estudos epidemiológicos de incidência de câncer, e estes fatores nos proporcionaram trazer esta proposta que, dentro, no máximo, de 30 a 45 dias, possamos anunciar quando será o início das atividades do Hospital Erasto Gaertner no município de Irati”, frisou.

João Almeida explicou que a única instituição brasileira que funciona neste sistema é o Hospital do Câncer de Barretos, interior de São Paulo, que tem uma unidade na região norte do País. “Por ser em Irati, nos sentimos orgulhosos em fazer parte deste momento histórico”, comemorou.

Projeto

De acordo com o chefe da 4ª Regional, durante a apresentação do projeto, a diretoria do Erasto irá apresentar também o local mais adequado para a instalação da unidade. Ele explicou que o tratamento oferecido será diferente do trabalho realizado nas clínicas oncológicas de Ponta Grossa e Guarapuava, por exemplo. Segundo João Almeida, essas unidades tratam somente tipos específicos de câncer e uma determinada faixa da população, além das unidades não possuírem capacidade para acolher pacientes de outros municípios da região. “Aqui em Irati, a curto prazo, a nossa intenção é que estes pacientes sejam ‘triados’, diagnosticados, e que alguns tipos de tratamentos sejam feitos aqui. A médio prazo, nós queremos que todos os tratamentos de quimioterapia, por exemplo, sejam feitos em Irati. A longo prazo, o projeto é que as cirurgias e pequenos procedimentos sejam feitos aqui na unidade de Irati”, frisou.

Quimioterapia poderá ser feita em Irati

João Almeida ressalta que os pacientes com grau menor de complexidade serão tratados em Irati, o que deve reduzir o número de pacientes atendidos na sede do Hospital Erasto Gaertner. Ele comentou também que não será possível realizar tratamento de radioterapia na unidade iratiense, devido ao custo do aparelho, que gira em torno de R$10 milhões de investimento inicial. “Nós não teríamos um público suficientemente grande que justificasse a instalação de um aparelho de radioterapia. É preferível nós deixarmos aqui para a quimioterapia e os pacientes pontuais, que necessitarem de radioterapia iriam para o núcleo de Curitiba”, pontuou.

O chefe da 4ª Regional destacou que, no projeto a ser apresentado, consta a possibilidade de uma instalação provisória do Erasto, até a inauguração definitiva da unidade. “A definição de local, se vai ser direto em um local definitivo, se vai ser em uma unidade do município, na Santa Casa, onde foi oferecida uma ala, ou se vai ser no Riozinho, ainda não nos foi apresentada esta resposta”, afirmou.

Empresário pretende concluir obra; Estado adquire equipamentos

De acordo com João Almeida, caso o terreno escolhido seja de propriedade particular, o responsável pela área se responsabilizaria pelo término da clínica e o Estado pela compra dos equipamentos. “Ele [Jorge Derbli] terminaria a obra e faria a cessão de uso. O terreno mede 15 mil m², e a construção tem mais de mil metros quadrados. Derbli terminaria esta construção e cederia para o Hospital Erasto Gaertner desenvolver as suas atividades. Seria uma cessão total da obra, na qual o hospital se beneficiaria com as melhorias neste terreno, que é particular”.
 
João Almeida destacou que há cerca de um ano foi apresentado um pré-projeto da instalação de uma unidade do hospital em Irati. “Nós solicitamos para que a direção não o fizesse, porque ainda não sabíamos como seria, qual seria o fluxo. Então, quem vai apresentar o projeto físico do local será o próprio hospital Erasto Gaertner, que vai dizer como deve ser a planta, com salas de 9, 10 ou 20 metros quadrados, e ele vai fazer a construção em cima da planta solicitada pelo hospital”, comentou.

O chefe da 4ª Regional ainda comentou que, assim que a obra esteja terminada, o Estado vai realizar a aquisição de equipamentos, desde que saiba qual parte do custeio caberá aos municípios, ao Estado e ao Governo Federal. “Isto após a entrega do projeto, que será feita no ano que vem”, frisou.

João Almeida destacou que a estrutura existente no local onde vai funcionar o hospital será aproveitada. “Em toda construção a gente faz “modulares”, que a gente possa, caso mais tarde resolvamos ampliar, possamos nos adaptar a outro local”, comentou.

Sonho realizado

O chefe da 4ª Regional também ressalta que a vinda do Erasto Gaertner é um sonho que pode estar se tornando realidade. “Não é apenas uma ou outra pessoa que conseguiu trazer este objetivo para cá, e quando este hospital estiver aqui, nós vamos precisar do auxílio de toda a nossa comunidade para que ele continue aqui, continue com os tratamentos, porque ele vai ser um hospital 100% público, não vai ter atendimento particular. Vamos ter que fazer promoções, jantares dançantes, para que esta unidade tenha esta função regional, que é o nosso objetivo. A movimentação de pessoas, seja de políticos, deputados ou a nossa sociedade civil, todos nós precisamos estar engajados, porque este projeto é o 1º do estado do Paraná. Nós precisamos mostrar que temos esta capacidade, esta qualidade de profissionais, e temos, principalmente, uma comunidade que, quando tem um projeto desta magnitude, nós abraçamos este projeto e mostramos a nossa qualidade como sociedade civil organizada”, finalizou.
 
Segundo Almeida, apenas em 2015, a região teve mais de 600 novos casos de câncer para o serviço de oncologia, com uma média de dois casos registrados por dia.

Confira as fotos da apresentação do projeto aos prefeitos da região na lente de Paulo Henrique Sava

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