Irati e Região / Notícias

12/04/14 - 11h17 - atualizada em 14/04/14 às 01h41

PR-364: Audiência pública que seria realizada em Irati é cancelada

Representantes da sociedade querem ter participação ativa na audiência e temem que ela seja usada como palanque eleitoral
Edilson Kernicki, com reportagem de Rodrigo Zub

A Comissão de Fiscalização para as obras de pavimentação da PR-364, que liga Irati a São Mateus do Sul, formada em audiência em São Mateus do Sul no ano passado, resolveu adiar a nova audiência pública que estava prevista para ocorrer nesta quinta (10), no auditório do Campus Irati da Unicentro. A princípio, o evento teria sido cancelado diante da impossibilidade da presença do presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB).

PR-364

A PR-364, que liga São Mateus do Sul a Guaíra, no oeste do Paraná, possui extensão total de 587,4km e pode ser dividida em 30 trechos. Um deles fica ente São Mateus e Irati e compreende cerca de 50km, dos quais apenas dois já são asfaltados. A conclusão da obra deve permitir um novo acesso rodoviário para os municípios das regiões Centro-Sul e Sul do Paraná.

No entanto, o presidente do Sindicato dos Petroleiros de São Mateus do Sul (Sindipetro), Rui Dalcion Rocha Rossetim, um dos articuladores do movimento “Asfalto Já”, que pede solução para a demanda, que persiste há pelo menos 40 anos, revelou à reportagem da Najuá que há outros motivos para o cancelamento. Um deles é o temor de que a audiência seja utilizada como palanque eleitoreiro.

Ele diz que tem conversado com todos os moradores da extensão da estrada, desde a região do Marmeleiro até Paiol Grande, em São Mateus, até chegar ao bairro Riozinho, em Irati. Segundo Rui, a população tenta entender qual seria a finalidade da audiência. “Se for para o movimento social da estrada participar apenas como ouvinte, sem nenhum protagonismo, sem nenhuma possibilidade de intervenção maior, simplesmente como ouvintes, acreditamos que não precisamos mais de audiência. Uma audiência para capitalizar para os políticos e eles irem ali fazer novas promessas, lançar novas expectativas. Não precisamos de audiência, precisamos de asfalto”, protestou.

Rui afirma que a comissão teria por objetivo estudar alternativas para viabilizar a verba de R$ 100 milhões necessária ao projeto de pavimentação da estrada, que é de responsabilidade do Estado do Paraná, que tem alegado dificuldades financeiras para adiar ainda mais o início das obras. “Na Audiência Pública de São Mateus do Sul, foi aventada a possibilidade de usar daquela verba de economia da Assembleia Legislativa (ALEP). Parece-me que nesse ano essa economia seria de R$ 500 milhões que a ALEP estaria devolvendo para o Executivo”, indica. Daí o interesse na presença de Rossoni à audiência que seria realizada em Irati. Outra proposta é buscar com os deputados estaduais uma emenda coletiva.

“Uma das coisas que o governo do Paraná coloca é que a estrada não está saindo porque não está sendo liberado aquele empréstimo de R$ 817 milhões do ProInveste, que hoje está bloqueado no Banco Central e não está sendo liberado porque está havendo um bloqueio. Sabemos que o Paraná precisa cumprir algumas determinações para que essa verba venha. Uma das idéias do grupo é que possamos interferir junto ao Ministério das Cidades, ou à própria presidente Dilma, ou com a senadora Gleisi, para que essa verba seja liberada, mas uma verba ‘carimbada’, que esses R$ 100 milhões sejam destinados exclusivamente para o asfalto”, defende o presidente do Sindipetro.

Ele também comenta que a audiência realizada em São Mateus do Sul teve participação ativa da população e de várias entidades representativas, que formaram a comissão para fiscalizar a realização da obra e cobrar soluções para essa demanda. “Estamos representando um movimento social e entendemos que precisamos nos mobilizar. Se a população não se manifesta, acaba deixando na mão de alguns políticos, muitas vezes interesseiros, e que acabam, só para efeito eleitoral, prometendo e dando expectativas e esperanças para o povo e acaba não concretizando aquele anseio da comunidade”, diz.

Segundo Rui, a articulação desde a audiência tem ocorrido, fundamentalmente, a partir de debates dentro do grupo Asfalto Já, no Facebook e, desde então, tem promovido o contato da comissão tanto com o DER quanto com a empresa Concresolo, responsável pelo projeto. Dois mil adesivos também estão prontos para serem distribuídos em uma blitz ou alguma ação similar, alertando para a urgência da causa.

O articulador aponta que tanto o DER quanto a Concresolo se comprometeram a acelerar a conclusão do projeto da obra para que se permitisse a imediata busca pelos recursos financeiros para sua execução. A mobilização teve resultado e o projeto prometido para julho ficou pronto três meses antes do prazo. “É muito positivo isso e faz com que possamos buscar a verba. Vamos reunir alguns membros do comitê, tirados aí da audiência em São Mateus para tocar para frente, que o que importa agora é a questão da verba para executar o projeto”, ressalta.

Folder de divulgação da Audiência Pública chegou a circular nas redes sociais, mas o evento foi cancelado
Projeto topográfico de pavimentação da PR-364 foi concluído três meses antes do prazo estabelecido


 Detalhes do projeto

O presidente do Sindipetro aponta alguns detalhes previstos pelo projeto de pavimentação da rodovia, como a aplicação de asfalto do tipo 2, ou seja, com acostamento. Conforme Rui, a estrada está praticamente preparada para receber o asfalto, com necessidade de poucas intervenções, como a construção de uma ponte sobre o Rio Turvo e mais uma em um riacho que corta a estrada em outro ponto. A terceira faixa é cogitada apenas para o trecho da Serrinha do Turvo, que tem uma inclinação superior à normalidade. Outro destaque seria uma trincheira no cruzamento com a BR-153, para desviar a estrada do bairro Riozinho, em Irati, nas redondezas do campus da Unicentro.

O representante da comissão de fiscalização diz que o projeto vai além da expectativa do povo da região, com a inclusão das pontes e da trincheira, que acabam encarecendo o projeto. “Mas evidentemente que, com o asfaltamento desse trecho aí, o fluxo de veículos vai ser muito maior, então realmente é bom que seja contemplado isso no projeto, que já vai absorver a demanda que certamente vai gerar com esse asfaltamento”, opina.

Obra orçada em R$ 100 milhões

Quanto aos custos da obra, cada um dos 48km de asfalto custaria em torno de R$ 1 milhão e o projeto prevê a aplicação de R$ 100 milhões em função da necessidade da ponte sobre o Rio Turvo e do desvio no Riozinho.

“Essa discussão do asfalto é uma coisa que não deveríamos estar falando mais. Uma coisa que deveria estar pronta. Uma vez que não existe o asfalto ainda, temos que fazer uma corrida contra o tempo. Com o projeto pronto, temos que correr atrás dessas verbas. Um dia ou outro, ele vai sair. Não é possível que fiquemos mais 50 anos sem esse asfalto aí”, diz Rui.

Ele lamenta que a discussão sobre o asfalto da PR-364 ressurja nesse momento que antecede a corrida eleitoral para angariar votos. “Se não sair agora, vai sair com o próximo governo. Provavelmente os candidatos vão prometer de novo, mas já não vamos cair nessa. Não vamos talvez nem votar em quem vier prometer aqui. Enquanto não sair o asfalto, não queremos mais ser iludidos. Esse é nosso sentimento. Tanto do pessoal de São Mateus, quanto o pessoal do trecho, como com certeza o pessoal de Irati também”, finaliza.



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