Irati e Região / Notícias

11/10/18 - 20h51 - atualizada em 11/10/18 às 21h15

Plano de drenagem deve conter medidas para minimizar enxurradas em Irati

Dificuldades no escoamento de águas pluviais em dias de grande intensidade de chuva voltaram a trazer transtornos na cidade, nesta semana

Edilson Kernicki, com reportagem de Rodrigo Zub 

Chuva forte na noite de terça-feira, 9, causou enxurradas nas proximidades da rodoviária de Irati

A empresa Ferma Engenharia apresentou o plano de drenagem urbana de Irati, em reunião realizada na Câmara Municipal, há um mês. O trabalho visa adequar a legislação municipal com objetivo de executar obras que reduzam potencialmente as áreas de enxurradas no município.

Os estudos encontram-se na segunda fase e já foram apresentados para a Comissão de Acompanhamento, Concidade e a equipe técnica municipal, que está coletando informações para identificar quais são as obras necessárias. Finalizada a segunda fase, serão realizadas duas audiências públicas para que a população iratiense possa contribuir com a elaboração do Plano de Drenagem Urbana.

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Durante a reunião de apresentação do plano, o arquiteto José Tadeu Smolka, que é vice-presidente do Concidade, questionou quais medidas o município está tomando para reduzir os impactos causados pelas chuvas fortes. Smolka conversou com nossa reportagem e falou sobre a importância de criar bacias de contenção para solucionar os problemas de enxurradas, que voltaram a gerar transtornos em Irati nesta semana, com a ocorrência de chuvas rápidas, mas de considerável densidade pluviométrica.

“Parabenizamos a prefeitura e o prefeito [Jorge] Derbli pela iniciativa, de fazer uma iniciativa tão necessária e que, há tanto tempo, todos os prefeitos vêm, de alguma forma, tendo dificuldades e não conseguiram elaborar esse plano”, disse. Na reunião realizada na Câmara, em setembro, a empresa Ferma Engenharia, do Grupo Envex, expôs a primeira e segunda fases do plano e o que já foi executado. “Fizeram um grande levantamento de toda a bacia do Rio das Antas, que abrange praticamente todo o quadro urbano da cidade; fizeram um levantamento dos rios e dos locais que fazem com que a água da chuva transborde o Rio das Antas”, pontuou.

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Smolka afirmou que pretende analisar os dados apresentados no levantamento a fim de contribuir para que o Plano de Drenagem seja eficaz, de modo que a implantação das medidas consiga, se não eliminar as enxurradas, ao menos minimizar os danos e transtornos.

O arquiteto frisou que, por ter familiares com terrenos e imóveis nas proximidades do Rio das Antas, tem observado desde os anos 1980 a ocorrência dessas grandes enxurradas, desde a primeira a afetar o centro de Irati. “Tenho visto que o prefeito Derbli está se esforçando bastante e feito algumas coisas muito interessantes e muito necessárias, como, por exemplo, essa última dragagem. Mas minha preocupação é que só a dragagem não resolve todo o problema. Há necessidade, e a empresa que está fazendo o plano de drenagem falou disso, que, nos casos de enxurradas, a água ser retida antes que chegue ao Rio das Antas. Ou seja, é preciso diminuir a velocidade da água na ocasião dessas chuvas torrenciais que estão acontecendo aqui na cidade”, disse.

Arquiteto José Tadeu Smolka comentou sobre o plano de drenagem e soluções para conter enxurradas durante entrevista na Rádio Najuá

Para essa contenção da água, o arquiteto sugere a criação de uma “rede de lagoas” no entorno do Arroio dos Pereira, por exemplo. “Lagoas que vão segurar, mesmo que seja durante uma hora, pelo menos, a água da chuva que vem do local mais alto. Essa água da chuva não vai chegar aqui no Rio das Antas tão rapidamente. A empresa que está fazendo o Plano de Drenagem tem, entre seus objetivos, quantificar e dimensionar esse tipo de dispositivo a ser construído ao longo dos rios aqui na cidade”, acrescentou.

“Cobrei exatamente isso, e talvez tenha cobrado num momento errado, porque eles estavam fazendo essa explanação do plano e eu estava ansioso para ver quais eram as propostas deles. Perguntei, perguntei e perguntei novamente a respeito desses dispositivos. Eles estão dimensionando o problema e acredito que, em breve, teremos alguma resposta a respeito dessas soluções para evitar essas enxurradas”, falou o arquiteto.

Smolka observou que os problemas hídricos de Irati não são necessariamente enchentes. “As enchentes vêm muito lentamente e ficam durante bastante tempo com o território coberto pela água. É o que acontece, por exemplo, com o Rio Iguaçu em União da Vitória. Aqui em Irati ocorrem enxurradas, que são grandes volumes de água, que chegam muito rapidamente no rio mais baixo, no Rio das Antas, e que vão embora muito rapidamente, deixando atrás de si uma esteira de destruição e problemas sociais. Graças a Deus, não tem deixado mortes”, comparou.

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Conscientização ambiental

“Essas soluções dependem da população. Grande parte delas depende da população. Hoje há uma divulgação muito grande desse plano em nível de prefeitura, rádio, de Conselho. Mas é em nível de população que tem que haver essa divulgação inicial e ela tem que ser repetida incansavelmente”, disse.

O arquiteto defendeu que a população precisa ser constantemente lembrada sobre quais procedimentos deve adotar para evitar os transtornos gerados pelas enxurradas. Há, segundo ele, uma tendência de que, com a amenização dos problemas, as pessoas, aos poucos, abandonem as práticas que visem impedir as enxurradas e o problema surge novamente. “A educação, não só ambiental, é necessária e fundamental para que a sociedade saiba ser resiliente e saiba ela própria resolver os problemas mudando seu comportamento. Temos que cobrar do prefeito que essa educação ambiental seja feita, efetivamente”, opinou.

Empresa Ferma Engenharia apresentou plano de drenagem em reunião realizada no dia 12 de setembro na Câmara de Irati

“A população precisa ter em mente que, no momento em que você corta uma árvore, ou duas, ou mil árvores, e constrói, no lugar dela, uma rua, asfalta essa rua, ou constrói uma edificação, cobre essa edificação e canaliza toda a água da chuva para dentro da galeria de águas pluviais, você está aumentando a velocidade da água chegar ao Rio das Antas. Em qualquer lugar que você faça isso, que você impermeabilize o solo, você está contribuindo para que a enxurrada seja maior. Em 2014, houve aquela grande enxurrada, que foi fenomenal, nunca vi outra como aquela. De lá para cá, não se fez nada visando diminuir a velocidade da água chegar ao Rio das Antas. Pelo contrário, se impermeabilizou mais”, analisou.

Smolka acredita que se houver uma chuva com o mesmo volume que ocorreu em junho de 2014, pelo fato de a impermeabilização do solo ter, inclusive, aumentado, os alagamentos provenientes das enxurradas surgirão ainda mais rápido que naquela ocasião. “Há a necessidade de cada cidadão perceber e entender – por isso, há a educação ambiental – sua atitude com relação a esse assunto de impermeabilização e retirada da vegetação, que também retém muita água, você estará contribuindo para aumentar a enxurrada não só no Centro, mas em toda a baixada do Rio das Antas”, assinalou.

O arquiteto advertiu a população para que evite ampliar essas áreas de impermeabilização. “A Prefeitura, há algum tempo, expediu um decreto que exige que todo cidadão que for construir alguma coisa tem que fazer uma bacia de contenção dentro de sua obra, para segurar a água de chuva que cai no seu telhado e não deixar que ela vá direto para a galeria de águas pluviais. Essa foi uma iniciativa do município e é uma coisa boa, para reter um pouco a água de chuva e melhorar a situação. Mas depende das pessoas fazerem, de elas entenderem a necessidade e, efetivamente, construírem a bacia de contenção”, afirmou.

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