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08/10/18 - 16h40 - atualizada em 08/10/18 às 16h46

Familiares e amigos promoverão ato “Ivanilda Vive” em Irati

Evento será realizado no dia 21 de outubro, no Parque Aquático. Ato será uma forma de protesto contra a violência familiar e doméstica

Paulo Henrique Sava

Um grupo de familiares e amigos de Ivanilda Kanarski, morta no dia 26 de julho no Parque Aquático de Irati, promoverá um ato no próximo dia 21 de outubro. O evento, denominado “Ivanilda Vive” começa às 15 horas no Parque Aquático, local escolhido para o ato por ter sido o palco do crime.

O grupo “MariEllas” está ajudando a família na organização do evento. A psicóloga do grupo, Rafaela Maria Ferencz, comenta que a cunhada de Ivanilda, Franciele Santos, foi quem procurou o coletivo para a organização do ato. “O ato ‘Ivanilda Vive’ é um grito pela justiça dela e de todas as mulheres que sofrem com violência doméstica e que morrem por feminicídio. Quando isto ocorre, ela morre porque é mulher, e todas as mulheres deveriam se sentir atingidas por este ato de violência, porque poderia ser qualquer mulher”, frisou.

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O crime de feminícidio geralmente tem como causa o ódio, o desprezo e o sentimento de perda ou controle sobre as mulheres. O Brasil tem um dos índices mais altos de feminicídio do mundo, sendo que uma mulher é morta a cada duas horas pelo companheiro ou ex-marido. Em geral, a maioria dos crimes ocorre quando a mulher pede o divórcio.

“O assassinato não acontece do nada: a violência doméstica é um ciclo no qual a violência vai aumentando cada vez mais. Começa com um tapa, um xingamento, uma humilhação, depois vêm as desculpas, a reconciliação, e, na próxima oportunidade de stress, de discussão, a violência aumenta, até chegar em situações como esta, onde a mulher percebe que não dá mais, pede a separação, e é quando acontece a maioria dos casos de feminicídio”, pontuou.

Ivanilda foi morta no dia 26 de julho, no Parque Aquático. Ex-marido, acusado do crime, continua detido na carceragem da 41ª DP de Irati

Conforme Rafaela, algumas mulheres farão reflexões sobre o feminicídio. Serão feitas homenagens a Ivanilda e a interpretação do poema “Quinta no Parque”, escrito pelo professor Edson Santos Silva, do Departamento de Letras da Unicentro. Ouça no fim desta matéria a interpretação do poema, feita por Franciele Santos. Haverá também momentos de sensibilização para outras mulheres que sofrem com a violência doméstica.

“As mulheres têm que tomar consciência de que temos que nos apoiar umas nas outras. Existe um conceito que chamamos de ‘sororidade’, que é a união entre as mulheres. Infelizmente, hoje, as mulheres julgam e culpam umas às outras. As primeiras a culpar Ivanilda pelo que aconteceu foram mulheres. Não tem justificativa: quem consegue encontrar justificativa para uma mulher que foi morta pelo marido na frente dos dois filhos e do próprio irmão?”, questionou a psicóloga.

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Rafaela comenta que o feminicídio não pode ser considerado como algo “normal”. “Não podemos levar isto como algo corriqueiro: temos que encontrar estratégias para combater e entender de onde vem isto para conseguirmos resultados bons”, apontou.

Em setembro, começou a ser utilizado o “Botão do Pânico”. Irati é a primeira cidade a receber o equipamento no Paraná. Cada aparelho está conectado diretamente à Guarda Municipal e à Polícia Militar. Desta forma, as mulheres que sofrem com violência poderão receber ajuda mais rápido. Conforme Rafaela, a própria Ivanilda vinha recebendo ameaças antes de ser morta. “Ela foi pedir ajuda, mas não o fez antes porque era ameaçada, e muito ameaçada. As mulheres não têm como não acreditar nestas ameaças, pois veja o que aconteceu com ela”, comentou.

A psicóloga ressalta que sair de situações como esta é muito difícil. “O pior que as pessoas fazem é julgar estas mulheres. Uma mulher que está sofrendo com violência é de apoio: se ela tiver isto, vai ser muito mais fácil sair desta situação”, afirmou.

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Emocionada, Franciele agradece o apoio oferecido pelo Coletivo MariEllas na organização do ato. “A emoção é muito grande por tudo que nós passamos e por sabermos que tem gente do nosso lado. Quero deixar o meu carinho e dizer para as mulheres que estão passando por dificuldades assim como a Ivanilda passou para que denunciem, pois o Coletivo MariEllas está de portas abertas, assim como o CREAS e o CRAS, para receber este tipo de situação”, frisou.

Qualquer pessoa que queira participar com manifestações artísticas e culturais ou apenas para demonstrar apoio deve procurar a página do movimento “Ivanilda Vive” no Facebook.

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