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19/06/18 - 11h28 - atualizada em 19/06/18 às 13h22

Ditadura - consequência de intervenções militares

Professor do colégio João de Mattos Pessoa, Eleandro de Carvalho, leva luz em pontos da história do Brasil que contrariam achismos factuais das redes sociais

Texto Jussara Harmuch, reportagem Juarez Oliveira e Vânia Andrade

Eleandro de Carvalho e Avanilde Polak participaram do In Pauta, programa de rádio da Najuá FM 106,9

Depois que as consequências da paralisação dos caminhoneiros afetou a cadeira de distribuição de produtos e pedidos de intervenção militar foram vistos durante o movimento em todo o país, a Najuá vem reunindo informações e relembrando a história, no sentido de contribuir para a construção do pensamento. Já vieram as alunas do colégio Sesi, Camyle e Maria Fernanda, que procuraram a rádio de forma espontânea para falar do movimento sob o ponto de vista dos jovens. Também os professores da área de logística do Senai, Luiz Fernando Afonso de Castro e Eliéser Stroparo, analisaram as consequências na rede de distribuição de produtos.

Desta vez, Eleandro de Carvalho, professor de história do colégio estadual João de Mattos Pessoa e do CEEBJA [educação básica para jovens e adultos], abordou fatos importantes da nossa história no In Pauta desta segunda-feira, 18. A professora Avanilde Polak, que coordena as atividades dos alunos do Sesi, acompanhou tudo.

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Militares estiveram no poder por três vezes

Os militares estiveram em ação quando na transição do governo Imperial para a República. Um governo provisório foi instituído e uma nova Constituição escrita, estabelecido o voto indireto. Marechal Deodoro assumiu, mas logo renunciou, dando lugar ao vice, Floriano Peixoto, que ficou conhecido como Marechal de Ferro. Foi o início do primeiro governo ditatorial no país, centralizador, tirando autonomia dos estados. O insucesso, grande parte devido à perda de poder econômico dos fazendeiros depois da abolição da escravatura, não o conduziu a reeleição em 1989. Veio o golpe, a República ficou nas mãos dos militares.

2ª experiência ditatorial

O Brasil volta para uma democracia quando Getúlio assume o poder em 1930, com a intervenção militar novamente. Mas Getúlio dá um golpe no golpe e cria o Estado Novo, dando início a 2ª experiência ditatorial em 1937. Um período de exílio, ostracismo, perseguição política, torturas e perdas de direitos civis e políticos até 1945, quando ele é deposto.

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Eurico Gaspar Dutra, militar, chefe de guerra, assume de forma transitória. Em 1950 Getúlio retorna ao poder, agora de forma democrática, com forte apelo popular dos trabalhadores, beneficiados na administração anterior, quando foi criada a CLT [Consolidação das Leis do Trabalho]. Período marcado pelo caráter populista de Getúlio até que ele é “tirado da vida para entrar na história” [palavras da carta deixada no dia do seu suicídio], ou seria novamente deposto.

A partir de 1954 ocorreram muitas eleições indiretas pelo Congresso, que sempre pertencia ao grupo político do poder. Corrupção sempre existiu, nas proporções da época e escondida pela falta de transparência dos atos.

Golpe de 64

Antes do golpe de 1964 quem estava governando era João Goulart. O mundo vivia o período da guerra fria, uma corrida entre Estados Unidos defendendo o capitalismo e a antiga União Soviética defendendo o socialismo. Uma guerra mais ideológica do que por armas. Na tentativa de reduzir o poder do comunismo, os Estados Unidos resolveram apoiar os militares no Brasil para fazer uma intervenção no governo de João Goulart, que fazia reformas de base, como a reforma agrária. Ele foi deposto e teve de se exilar. Os militares novamente assumiram, veio Castelo Branco e foram 21 anos de ditadura. “Ame-o o deixe-o”, lema do governo que reprimia manifestações e aplicou forte censura sobre a mídia. 

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Análise

“É preciso cuidar com esta noção romantizada da ditadura e fazer uma interpretação a partir de muita leitura de autores diversos. Ditadura é uma regressão em termos de direitos civis e cerceamento de direitos sociais. E tudo fica escondido através de uma propaganda de governo”, diz o professor que se sente impotente diante dos pedidos de intervenção militar que vieram à tona no movimento dos caminhoneiros.

“Onde estou falhando que as pessoas não estão percebendo a grande tragédia que é tomar a liberdade de outra pessoa que não pensa igual a você de forma impositora”, indaga, fazendo suas as palavras do historiador e professor de filosofia, Leandro Karnal.

Esta “anulação” da história passa a ser cíclica. “De tempos em tempos as pessoas esquecem e acabam pedindo de novo intervenção militar, também surgem grupos neonazistas. A própria igreja ficou dividida em apoiar os militares ou o cidadão comum q sofria as represálias”, avalia Eleandro, que se preocupa com os achismos das redes sociais que vão no embalo, sem alimentar uma estrutura de pensamento baseada na história.

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O professor termina a sua participação destacando que vivemos em uma democracia representativa, nós fazemos as escolhas e depois temos de cobrar dos políticos as ações.

Lista de filmes que tratam sobre o tema:

Batismo de Sangue

Zuzu Angel 

O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias


Confira tudo que foi falado no vídeo abaixo. O programa In Pauta que vai ao ar de segunda a sexta pela Najuá FM 106,9, no horário das 12 às 13 horas.


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