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06/08/16 - 10h53 - atualizada em 08/08/16 às 10h45

ANAPCI receberá unidade do Hospital Erasto Gaertner em Irati

Instituição cederá provisoriamente sua sede em forma de comodato

Paulo Henrique Sava

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Em entrevista coletiva realizada na tarde da última terça-feira, 02, a diretoria da Associação do Núcleo de Apoio ao Portador de Câncer de Irati [ANAPCI] confirmou a vinda de uma unidade do Hospital Erasto Gaertner para Irati. Provisoriamente, o prédio onde atualmente funciona a sede da instituição irá abrigar o hospital, até que uma nova unidade seja construída no município. O hospital não terá nenhum tipo de ônus com aluguel do espaço. No entanto, a instituição terá que arcar com a manutenção do prédio, com o pagamento dos funcionários e com a compra de medicamentos para os pacientes.

Com isso, a ANAPCI terá que procurar outro local para suas instalações. Segundo os diretores, Terezinha Veres, Ieda Regina Schimalesky Waydzik e Dagoberto Waydzik, a ACIAI se propôs a realizar uma campanha para ajudar a custear o aluguel do novo prédio. O novo local irá abrigar os pacientes, os equipamentos e toda a mobília, doada pelo programa Provida e pelo Rotary Club de Irati. Porém, segundo a diretoria, ainda não foi assinado um contrato de comodato entre o hospital e a ANAPCI, para que a instituição possa procurar um novo local para se abrigar.  

“O paciente será atendido muito melhor, e em vez de fazer outras viagens, ele será atendido aqui. Então, nós não temos ainda este local firmado. Eles enviaram ofício escolhendo este local”, comentou. 

Segundo Dagoberto, após a realização de uma assembleia com membros do Conselho Deliberativo, foi feito um ofício, que foi enviado para a Vigilância Sanitária, a 4ª Regional de Saúde, para o Secretário de Estado da Saúde, Michele Caputo Neto, para a diretoria do Erasto Gaertner, para a presidente da AMCESPAR, Telma Fenker e para a deputada federal Leandre Dal Ponte (PV).  

Em entrevista coletiva, ANAPCI confirmou vinda de unidade do Hospital Erasto Gaertner para Irati
Sala que deverá servir de recepção para os pacientes do hospital

“Desde a fundação da ANAPCI, o intuito é sempre ajudar e beneficiar os pacientes que estão inscritos e que recebem atendimento aqui na casa. A construção do prédio foi feita com muita dificuldade, sempre com doações, como sempre foi”, afirmou a atual presidente, Terezinha Veres. 

Inicialmente, a sugestão da diretoria da ANAPCI era de trazer um ônibus da FIEP para realização de exames em Irati. No entanto, após uma visita ao hospital, em Curitiba, a instituição decidiu “fazer algo mais pelo paciente”. De acordo com Ieda, o atendimento da ANAPCI é essencialmente de Assistência Social.  

“Temos as voluntárias, que vão até as casas dos pacientes, temos atendimento psicológico, jurídico e temos os grupos de psicologia. É um atendimento para as famílias, e não só para os pacientes”, frisou.

Benefícios para os pacientes

Segundo Ieda, a instalação do Erasto em Irati poderá melhorar a qualidade de vida dos pacientes. “O fato de ter aqui na cidade dele o atendimento à saúde é um avanço muito grande para a oncologia, principalmente para o emocional do paciente, que já não sofre um impacto tão grande de ter que se deslocar para um local que ele não conhece. O medo é um sentimento que faz mal para todos nós, e tirar parte deste medo do desconhecido é muito importante para nós”, frisou. 

Em Irati, o hospital terá atendimento completo na área da oncologia, inclusive com tratamentos quimioterápicos. Segundo a diretoria da ANAPCI, num primeiro momento não será possível oferecer os serviços de radioterapia, pediatria e fisioterapia, que demandam a utilização de equipamentos mais sofisticados e a construção de espaços próprios para eles.  

Além disso, o prédio que abrigará o hospital terá que passar por algumas adaptações, com supervisão do CREA e orientações da Prefeitura Municipal e da Vigilância Sanitária. Dagoberto afirma que o projeto com as adaptações foi enviado para a diretoria do Erasto. “O avanço para Irati é muito grande, e a nossa alegria de estarmos neste limiar também é muito grande”, frisou.  

Atualmente, a ANAPCI atende cerca de 200 pacientes de toda a região, sendo que a metade deles será atendida pelo Erasto. O custo mensal de operação da unidade deverá ficar entre R$100 e R$150mil, valor que será dividido proporcionalmente entre os municípios da região. “O Erasto não vai trabalhar de graça, mas poderia ter ido para outro lugar. Fomos felizardos de haver esta articulação por parte da deputada, que teve interesse de trazer [o hospital] para nós, pois afinal ela representa muitos municípios do Paraná inteiro, e Irati é que foi premiado com isso”, frisaram Dagoberto e Ieda.  

Quartos serão transformados em salas para realização de quimioterapia
Estrutura do Hospital em Irati

A instalação do Hospital Erasto Gaertner vinha sendo solicitada desde que a deputada Leandre começou a apoiar a ANAPCI. Em Irati, a instituição contará com dois consultórios, uma farmácia, um posto de enfermagem, uma área para expurgo, uma recepção e três salas de quimioterapia, além de uma sala para curativos e um local para realização de minicursos por teleconferência. O local terá também um depósito de material de limpeza. O período inicial do contrato deve durar cerca de um ano, renovável por prazo igual.

“Neste meio tempo, nós, enquanto comunidade, temos que gestionar no sentido de melhorar o local de atendimento, que eu imagino que vai ficar pequeno. Nós precisamos dar uma evolução para isto neste momento em que as coisas estão em ebulição. Precisamos trazer eles para cá para fincar uma estaca e começar aquilo que está prometido. Na sequência, a gente vê como as coisas vão evoluir”, frisou Ieda. 

Irati e Prudentópolis são as cidades com maior número de casos de câncer do Paraná 

Em toda a região, há uma grande incidência de casos de câncer de pele, de mama, de próstata e de faringe, que, se descobertos no estágio inicial, têm maior chance de cura. Ieda comentou que, a partir da presença do Hospital Erasto Gaertner em Irati, abre-se a possibilidade da realização de pesquisas sobre as causas da grande incidência de casos de câncer na região, em parceria com a Unicentro. “Não adianta só o curativo, nós temos que trabalhar a prevenção. Do jeito que as coisas estão caminhando e com o aumento dos nossos pacientes (que hoje chega a 80 famílias atendidas), as coisas estão se avolumando, e nós precisamos descobrir os motivos disso”, comentou. A expectativa da diretoria é de que a demanda de pacientes da região aumente com a chegada da unidade hospitalar.


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