Matérias / Irati de Todos Nós

23/05/12 - 14h34 - atualizada em 23/05/12 às 16h20

Nenhum povo evolui desconhecendo a sua própria história - Parte II

EIS O HOMEM QUE PROCURA NAS CANTIGAS
O ELEVO ESPIRITUAL QUE NÃO ACHOU
QUANDO, EM ANOS DE ANELOS E FADIGAS,
A LEMBRANÇA DO SONHO ESPEDAÇOU...


No programa da semana que passou, dei início a uma série que resolvi intitular de: “NENHUM POVO EVOLUI DESCONHECENDO A SUA PRÓPRIA HISTÓRIA”. Escolhi como conteúdo desta série o enaltecimento biográfico de algumas das nossas mais importantes personagens históricas. Aquelas que se destacaram em um passado mais distante, assim como, aquelas que conviveram conosco até a bem pouco tempo. Muitos poderão ficar de fora desta homenagem, não por falta de merecimento, mas sim, por termos o privilégio de contar com um número muito grande de importantes iratienses que se destacaram na história do nosso RIO DE MEL – IRATI. Aos quais, desde já, o programa IRATI DE TODOS NÓS e essa Emissora dedicam as suas mais eloqüentes e sinceras homenagens.

O meu boa tarde a todos vocês meus prezados ouvintes, desejando-lhes um ótimo final de sábado e um domingo repleto de muito amor, paz e alegria, em seus lares e em seus corações.


SUSPENDE O PASSO SUPONHO,
QUE A TERRA AZUL ESTÁ AQUI:
PORTO DO ENCANDO E DO SONHO,
GRUTA DO AMOR – I R A T I!


Fábia Pires, esposa do Coronel Francisco de Paula Pires, pioneiro do Covalzinho. Mulher de grande simplicidade, mas de espírito forte e grande coragem. Doou ao município, juntamente com Nhazinha Macedo, a imagem original de Nossa Senhora da Luz, padroeira de Irati. Nome de grande destaque na galeria das mulheres de Irati. 


Ó RÉGIO PINHEIRAL, CORTINA VERDE,
QUE NO AR EMBALAS DA FLORESTA A ESSÊNCIA,
A IDÉIA ME VACILA E O OLHAR SE PERDE
AO SONHAR-TE O MISTÉRIO DA EXISTÊNCIA:


João Batista Anciutti veio para Irati em 1907, instalando sua serraria em Riozinho, onde adquiriu terras e pinhais. Homem de visão e empreendimento, enfrentando dificuldades, traçou planos para urbanização da vila. Construiu a Igreja, a escola e o clube, auxiliado pela comunidade. Escolheu o local para a instalação da Estação Ferroviária, que recebeu o nome de Engenheiro Gutierrez. Colaborou com as iniciativas para a construção da Escola Apostólica São Vicente de Paulo. Foi eleito Camarista em três legislaturas, 1916/1920, 1920/1924, 1924/1928 e exerceu a presidência do Legislativo em 1923/1924 e 1927/1928. Foi presidente do Partido Republicano Paranaense e foi, até 1930, o chefe político do nosso Município. Exerceu a função de Inspetor Municipal de Estradas e possuía a patente de Coronel da Guarda Nacional. Faz parte da galeria de personalidades da nossa história. 


SEI QUE UM HINO SE ELEVA DO TEU SEIO,
E DE MANHÃZINHA A AUREA ESFERA INVADE:
É O CORAÇÃO DOS NINHOS, NUM GORJEIO,
DESFERINDO O BOM DIA A HUMANIDADE;


Theodoro Cichewiscz foi eleito Camarista em 1916. De origem polonesa, seu mandato foi casado pela Câmara em dezembro de 1917, sem direito a defesa, acusado de ser reservista do exército prussiano no exato momento em que se desenrolava a I Guerra Mundial. Foi proprietário de uma das mais importantes casas comerciais de Irati e grande batalhador pelas causas do desenvolvimento do Município. Contribuiu, também, com a construção de Seminário de São Vicente de Paulo. Elegeu-se novamente Camarista para o período de 1928/1932, exercendo a presidência da Câmara de setembro de 1928 até agosto de 1929. Foi membro do Partido Republicano Paranaense e, tendo se destacado em serviços pelo bem da comunidade, foi nomeado pelo Interventor Manoel Ribas, membro do Conselho Consultivo de Irati, função que exerceu até 1935, quando o Conselho foi extinto. Mais um membro da galeria de personalidades da nossa história. 

 
SEI QUE EM TEU CERNE UM ÁTOMO EXTREMECE
QUANDO PERPASSA O VENTO, AO FIM DO DIA:
É A ALMA DAS FLORES QUE EM SILENE PRECE,
COMO NÓS OUTROS REZA A AVE-MARIA;



Magdalena Giacomelo Anciutti chegou a Irati, com seu esposo, João Batista Anciutti, em 1907. Irati nascia, para o Paraná e para o Brasil. Participou com clarividência da fundação do Riozinho. Tudo era uma imensa floresta quando então delinearam-se as ruas e praças do futuro povoado. Muito amor ao próximo, trabalho e perseverança fizeram de Dona Magdalena uma figura admirada e estimada na comunidade. Com grande espírito caritativo, próprio da sua formação cristã ela estava sempre pronta para auxiliar a todos os que buscavam sua ajuda. Dona Magdalena foi chamada de A Mãe da Pobreza. Em 1935, como homenagem a sua personalidade e reconhecimento aos seus dotes humanitários, o Município deu seu nome a uma das praças da nossa cidade. Praça Magdalena Giacomelo Anciutti é a praça que fica em frente à Igreja de São Miguel. Uma grande mulher na galeria das personalidades iratienses. 


SEI QUE HÁ AROMA FINÍSSIMO E SUPREMO
A SALTAR PELOS POROS DE TEUS BRAÇOS:
É O AMOR VEGETAL BUSCANDO O ETERNO
NO SANTUÁRIO INVISÍVEL DOS ESPAÇOS;


Abib Mansur elegeu-se Camarista em 1916 e 1928. Exerceu a presidência da Câmara de 1918 à 1920. Foi membro fundador da Loja Maçônica União e Progresso II, em 1923, tendo como companheiros de fundação: Zeferino Salles Bitencourt, Felipe Mansur, Felicissimo Neves, Antonio Candido Martins, José Joaquim de Andrade, Elizário Mello, Pedro Calderari, Francisco Thomaz Pires, João de Mattos Guedes, João Araújo Silva, Halim Abil Russ, Alfredo Dias e Plínio Cunha Teixeira. Em 1920, quando foi presidente da Câmara de Irati, participou do pedido feito ao Governo do Estado para a construção do primeiro grupo escolar do Município, assim como, solicitou a vinda a Irati do Dr. Martinez, remodelador da instrução pública estadual, para dotar Irati de novos métodos de ensino. Neste mesmo ano de 1920, presidiu a instalação do Distrito de Barra Mansa, atualmente Guamirim. Mais uma importante personalidade nos anais da nossa história. 

 
SEI QUE HÁ FRUTA, ROLANDO-TE DOS GALHOS,
E NA TERRA POR TODOS RECEBIDA:
É O TEU SANGUE, O SUOR DE TEUS TRABALHOS,
DE UM NOVO MUNDO ALIMENTANDO A VIDA;


Caetano Zarpellon, um dos primeiros industriais de Irati, possuiu uma grande serraria na localidade da Lagoa, Foi proprietário do primeiro veículo motorizado que chegou ao município, em 1919. Eleito Camarista para o período de 1916 à 1920 e exerceu a presidência da Câmara de 1916 á 1917. Vendeu terras em Mato Queimado e promoveu o início da ocupação da região, fixando ali diversas famílias para a colonização da área. Em 1928 foi presidente do Tiro de Guerra de Irati e em 1934 foi indicado pelo interventor Manoel Ribas, membro do Conselho Consultivo Municipal, que substituiu a Câmara Municipal em suas atribuições legislativas. Auxiliou na construção da Escola Apostólica de São Vicente de Paulo e foi Major da Guarda Nacional. 


SEI QUE O MAR INFINITO DE VERDURA
ONDE SE FORMAM LENTAMENTE SUAS PINHAS,
E O SORRISO DOS TRONCOS, É VENTURA
DE MILHARES DE PÁSSAROS QUE ANINHAS:


Eugenia Andrade Leite, Foi agente do Correio de Irati durante muitos anos e desempenhou a sua missão com extraordinário espírito público, sempre pronta para atender os interesses da comunidade. Exemplo de bondade e honradez, eficiência e dedicação no desempenho de suas atribuições. Filha de Joaquim de Andrade, pioneiro de Irati-Velho, criou profundas raízes de tradição e trabalho em nossa comunidade. Mais uma grande mulher iratiense nos anais da nossa história. 


SEI QUE ESTES NOBRES VULTOS PERFILADOS,
À FEIÇÃO DE COLUNAS DE GRANITO,
SÃO OS DA MATA VARONIS SOLDADOS
A FESTEJAR DOS SÉCULOS O RITO;


Antonio Lopes exerceu a presidência da Câmara Municipal de Irati por ocasião da instalação da nossa Comarca, em 1927. Foi eleito Camarista no período de 1924 á 1928 e reelegeu-se para os anos de 1928 à 1932. Foi Delegado regional de polícia e com a deflagração da Revolução de 1930 desempenhou a missão de comandante da Praça de Irati. Presidiu a Câmara Municipal de Irati durante os anos de 1925 à 1927, ocasião em que convocou uma reunião extraordinária para protestar e reivindicar  a construção de uma rodovia de ligação entre Irati e Foz do Iguaçu, prevista para desviar-se de Irati, seguindo via Ponta Grossa. Marcou importante presença em momentos de relevância da historia do município. 


NÃO SEI, PORÉM, SE EM VINDO PARA O MUNDO
A DO HOMEM SINA TRISTE TRUXESTE
DE PROCURAR, NA POEIRA DE QUE É ORIUNDO,
O ENCANTO E A GLORIA DA MANSÃO CELESTE;


Olívia Maria Anciutti Grácia, assim como Trajano Grácia, seu esposo, prestaram relevantes serviços ao município de Irati e, principalmente, ao Riozinho e Gutierrez, onde viveram. Trajano Grácia legalizou a planta de Gutierrez, promoveu abertura de ruas, estradas e a instalação do serviço de correios para a localidade. O casal plantou a semente para a instalação do Seminário Santa Maria e Colégio Sagrado Coração. Tia Mariquinha, como era conhecida por todos, executou essa aspiração, sendo juntamente com o Frei Patrício de Nebola, os fundadores da instituição religiosa. Sempre presente no trabalho humilde ou nas grandes realizações em Riozinho e Gutierrez. Doou todos os seus bens à instituições religiosas, consagrando toda a sua vida a um nobre ideal. Um casal digno de fazer parte da galeria de ilustres cidadãos de Irati. 


NÃO CREIO QUE TE FIRA ESSE TORMENTO
MAS, SENDO IRMÃO GRANDIOSO DO CRUZEIRO,
O ORGULHO QUE ELE TEM NO FIRMAMENTO, 
TU O POSSUIS NO CHÃO POR SER O PINHEIRO!


Antonio Xavier da Silveira instalou sua farmácia em Irati no ano de 1913. Em 21 de abril de 1914, tendo trazido a primeira bola de futebol para Irati, juntamente com David Araújo e outros desportistas, fundou o Iraty Sport Club, primeiro clube esportivo do nosso Município. Antonio Xavier exerceu intensa atividade política, tendo sido eleito para a Câmara Municipal em 1924, em 1928, em 1947 e 1951, exercendo a presidência do nosso Legislativo nos anos de 1924/1925, 1951/1952 e 1955. Durante a revolução de 1930, fez parte do Conselho Consultivo Municipal, de 1931 à 1935, nomeado pelo interventor Manoel Ribas. Foi membro fundador da Associação dos Pais Cristãos, Rotary Club de Irati e União Democrática Nacional. Fundou o Irati Tenis Clube. Outro ilustre cidadão iratiense. 


NESTA CURVA DO TRILHO DO DESTINO
VOSSA TERRA AOS MEUS OLHOS SE DESCOBRE,
E EU, POR ÍNDOLE, SENDO PEQUENINO,
SÓ VOS OFERTO EM OLHAR PEQUENO E POBRE;


Olimpia do Amaral Gruber foi uma das primeiras professoras normalistas a lecionar em Irati e a primeira a exercer o magistério no interior do Município. Começou dar aulas em 1915, na Colônia Gonçalves Júnior, transferindo-se mais tarde para Itapará e depois para a sede do Município, quando trabalhou no Grupo Escolar Duque de Caxias. Integrou a banca examinadora do concurso público, em 1938, na administração do prefeito Mario Pimentel. Teve uma atuação destacada no ensino de Irati, tanto na sede do Município como no seu interior. 


UM LAR CRISTÃO, ONDE O HÁBITO DIVINO
PALPITA, E ONDE HÁ, NO IDEAL DE QUE SE COBRE,
ESSE DO AMOR PERFUME CRISTALINO,
QUE DESPARJO ENTRE VÓS, Ó GENTE NOBRE.


Eduardo Xavier da Veiga foi o primeiro Juiz de Direito da Comarca de Irati, criada pela Lei nº 2464 de 02 de abril de 1927, e instalada em 24 de maio daquele mesmo ano. Permaneceu em Irati até 1934. Presidiu a instalação da Comarca, integrada pelos Distritos Judiciários de Bom Retiro, Barra Mansa e Itapará. Foi um dos primeiros poetas a publicar versos nos jornais que começavam a ser editados em Irati. Conquistou a admiração dos iratienses, pelo grande conhecimento que possuía no desempenho das suas funções jurídicas, bem como pelo acerto de suas decisões. Outra personalidade histórica da nossa querida Irati. 


ABRO AS PORTAS, FELIZ AO VOSSO AFETO,
E AO SENTIR-VOS O ANSEIO PREDILETO,
DO TRABALHO E FECUNDA COMUNHÃO,
SEI QUE IREMOS, NA VIDA, SATISFEITOS,
EU, POR TER UM LUGAR EM VOSSO PEITO
VÓS, POR TERDES NO MEU UM CORAÇÃO.


Padre Wenceslau Szuniewicz nascido em 1892, na Polônia, formou-se em medicina em Moscou, Rússia. Participou da primeira Grande Guerra Mundial e em 1918 especializou-se em pediatria, regressando a sua terra natal. Em 1927 ingressou na vida religiosa, tornando-se missionário em 1930, indo trabalhar na China. Fundou um hospital oftalmológico onde realizava 3000 operações por ano. Chegou ao Brasil em 1952 e em Irati em 1956, onde fundou a Associação dos Pais Cristãos, para atender aos necessitados e incentivar a cultura e a educação. Fundou bibliotecas volantes, promoveu o teatro no meio urbano e rural, auxiliou escolas do interior, instalou um dispensário no Rio Bonito para atendimento gratuito de necessitados. Exerceu medicina no nosso Hospital de Caridade São Vicente de Paulo, sempre pronto para servir com desprendimento e espírito cristão. 
 
São tantos aqueles que pavimentaram com o suor do seu corpo o caminho por onde hoje nós andamos, tantos, que será quase que impossível relembra-los a todos. Alguns se dedicaram a tarefas econômicas, outros investiram seu precioso tempo na política, alguns religiosos, educadores, esportistas e até alguns anônimos, depositaram suas contribuições de labor e dedicação ao nosso passado. Alguns, com certeza, ficaram de fora, outros podem até ser contestados e, talvez, muitos passaram sem ser percebidos. Mas, uma coisa é certa, sem as suas contribuições, grandes ou pequenas, sinceras ou forjadas, idealistas ou interesseiras, jamais teríamos chegado aonde chegamos: ás margens plácidas do nosso rico e querido RIO DE MEL – IRATI. 

Os textos biográficos desta matéria são do Prof. José Maria Orreda e as poesias de Virgilio Moreira.

No próximo sábado, aqui estaremos, vos trazendo mais uma plêiade de nomes ilustres ou, até, nem tanto, mas que, de uma forma ou de outra, deixaram seu rasto e seu traço na história do nosso município. Até lá!



Comentários

Enquete

Em relação aos candidatos à presidência da república, você está?

  • Confuso (a)
  • Definido (a)
  • Indeciso (a)
Resultados