Matérias / Irati de Todos Nós

21/05/12 - 09h27 - atualizada em 23/05/12 às 16h05

Nenhum povo evolui desconhecendo a sua própria história - Parte I

Em seu livro História de Irati – volume II – editado em 1974, o professor e historiador José Maria Orreda já nos dizia:

A preservação dos nossos documentos de significado histórico é fundamental para que possamos preservar a nossa história escrita. Nenhum povo poderá evoluir desconhecendo a sua própria história, pois o encadeamento da vida de uma comunidade, partindo do simples para o complexo, haverá de se fundamentar sempre em etapas já percorridas. Como disse o filosofo, “os vivos serão sempre e cada vez mais governados pelos mortos”. Isso significa dizer que a nossa evolução social dependerá cada vez mais da experiência acumulada pelos nossos antepassados. A função da História é descortinar horizontes, pois não poderá olhar para frente quem não souber olhar para trás. A história permite às gerações que se sucedem o exame e interpretação dos fatos que modelam o processo cultural da comunidade, dos povos ou das civilizações.

O meu boa tarde a todos vocês, meus prezados ouvintes. Ouvintes que se espalham por todo esse rico solo iratiense, desde os limites do nosso querido Nhapindazal até as terras férteis do Itapará. A todos vocês que nos ouvem, dedico o programa de hoje, para transmitir-lhes uma bela mensagem cultural do nosso grande historiador Professor José Maria Orreda que, juntamente com esta emissora e com minha humilde participação, nos dedicamos, de corpo e alma, na preservação da rica e bela história do nosso Rio de Mel – Irati.

Quantos de nossos importantíssimos documentos já se perderam e quantos estarão relegados a umidade, ao mofo, a deteriorização, perdendo-se definitivamente? Quantos documentos de real valor foram ou são jogados fora ou queimados? Os possuidores de documentos históricos, muito raramente tem plena consciência do que representam esses registros do passado no processo da evolução cultural da comunidade a que pertencem.

É preciso que nós iratienses conheçamos cada vez mais a história do nosso Município. A preocupação de nós, pesquisadores e estudiosos deve ser continua, pois a evolução social e a definição de perspectivas na marcha da comunidade só poderão ter clareza desde que se possa vislumbrar a diretriz de nossa história. Pois conhecer o nosso passado é conhecer o rumo que devemos seguir. Etapas superiores de cultura serão alcançadas na medida que coletivamente valorizarmos os vultos do nosso passado e os feitos que fundamentaram a formação da nossa estrutura social. Na nossa galeria dos nomes em destaque há muitas importantes personagens a destacar. Talvez muitos até possam ser esquecidos, pois a historia é um processo contínuo que desafia a argúcia e a tenacidade dos pesquisadores. Irati não é apenas o que já foi dito. É, principalmente, o sentimento da evidência que tentamos demonstrar.  




As terras que compreendem a região de Irati, em passado distante, pertenceram aos índios. Esses índios seriam os Caingangues. Vestígios dessa antiga civilização, tais como pedaços de vasos de barro, machadinhas de pedra, tigelas ou pilões e pontas de flechas, ainda são encontrados em terras do nosso município.

A denominação Irati teria ocorrido por volta de 1830, escolhida por Pacífico de Souza Borges e Cipriano Francisco Ferraz, procedentes da região de onde hoje é Teixeira Soares, que vieram conhecer o sertão em busca de novas terras para viver e cultivar.


O REI DA MATA, O PINHEIRO
DE MAJESTADE SEM PAR
AO VÊ-LO ASSIM SOMBRANCEIRO
EM DEUS ME PONHO A PENSAR!


As primeiras famílias que habitaram Iratym, depois Irati-Velho e hoje Vila São João, teriam vindo da região de Palmeira, Campo Largo, Lapa, Assungui e Curitiba em 1865. Francisco de Paula Pires, líder do Covalzinho, aqui fixou residência em 1890.



Francisco de Paula Pires, Coronel da Guarda Nacional, pioneiro da fundação de Irati. Fixou residência em Covalzinho antes de 1890. Primeiro comerciante estabelecido na região, trabalhou para a instalação do Distrito Judiciário de Irati em 1904, ano em que foi eleito primeiro Juiz Distrital e Camarista de Santo Antonio de Imbituva. Renunciou o mandato para lutar pela autonomia do nosso município, objetivo atingido em 02 de abril de 1907. Foi prefeito de Irati de 1912 á 1916, deixando lições de austeridade na administração pública. Empenhou-se na definição dos limites territoriais do novo município. Grande líder, de espírito forte, humanitário e com ampla capacidade de ação e decisão, chefe político respeitadíssimo. Foi uma das figuras exponenciais da nossa história.
 
 
 
IRATI DOS NOSSOS AMORES
IRATI, TERRA QUERIDA
ÉS UMA FESTA DE CORES
ENFEITANDO AS NOSSAS VIDAS.


Covalzinho passou a denominar-se Iraty em dezembro de 1899, com a inauguração da Estação da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande. Segundo depoimento de Rodolfo José Pedroso, que chegou ao Covalzinho em 1892, aqui se plantava roças de milho, feijão e hortas de couve e o caminho das tropas passava bem ao lado da vila. A indicação que mais se usava era: Lá pras bandas do “covalzinho” do fulano de tal.
Em 1899, ano em que fixaram em Covalzinho os trilhos da Estrada de Ferro e foi inaugurada a estação, além do arranchamento dos construtores da ferrovia, existiam apenas algumas rústicas moradias. Covalzinho não era sequer quarteirão policial, estando subordinado a São João do Iratym, hoje Vila São João, distante 3 km mais ao sul das terras então pertencentes a Imbituva. Entre os construtores da ferrovia estavam alguns futuros construtores da historia e da cultura do futuro município que seria criado em 1907, destacando-se entre eles:
BASÍLIO FLORIANI, JOÃO VIZINONI, ANTONIO BUDEL, JOÃO GALOCIOLI, ANTONIO BORAZO, BENEDICTO CRUZ, BORTHOLO VICTORIO BENATO, THOMAZ MALANSKI, ANTONIO OLKOSKI, CANDIDO CORDEIRO, entre outros.


TODO ESSE MAR DE PINHEIROS
QUE ASSOBERBA O MEU ESTADO
É LENDA NO MUNDO INTEIRO:
- FOI PELA GRALHA PLANTADO.


Dentre os novos habitantes do Covalzinho que para cá vieram em 1899, estavam os concunhados e compadres: MANOEL GRÁCIA e EMILIO BAPTISTA GRÁCIA.



Manoel Grácia chegou ao Covalzinho em 1899. Foi um dos primeiros comerciantes, instalando sua casa de negócios na Rua Velha, hoje Rua XV de Julho, exatamente onde hoje se encontra a sede da Associação dos Artesões de Irati. Em 1907 financiou a aquisição da área que se destinou a formação do primeiro quadro urbano da Vila - (Perímetro compreendido pelas ruas XV de Julho, Munhoz da Rocha, Coronel Grácia, Coronel Emilio Gomes) comprada por 2:000$000 - Dois contos de Reis. Informações dão conta de que Manoel Grácia, mais tarde, recebeu a importância emprestada ao município sem qualquer juro de mora. Foi incentivador e preposto do Governo Federal da colonização de Gonçalves Júnior. Em 1908, na primeira eleição popular do município de Irati, foi eleito como o Camarista mais votado, exercendo a presidência da Câmara no período de 1908 á 1912. Como presidente da Câmara, assumiu as funções de prefeito em diversos períodos da administração de Antonio Teixeira Sabóia. Mandou abrir a estrada de Irati é Fernandes Pinheiro. Em 1910 assinou a concessão para instalação de energia elétrica de Irati, pelo prazo de 30 anos, a Arcélio Baptista Teixeira. 


IRATI... EM VERSO PEQUENO,
NINGUÉM CONTA, OU JUSTIFICA,
QUE EM TÃO ESTREITO TERRENO
POSSA HAVER OBRA TÃO RICA!



Emilio Baptista Gomes, Coronel da Guarda Nacional, fixou residência no Covalzinho, juntamente com seu compadre Manoel Grácia, no ano de 1899. Elegeu-se Camarista pelo município de Imbituva, em 1904 e renunciou ao mandato para lutar pela autonomia do Distrito Judiciário do Covalzinho. Por indicação de lideranças políticas, assumiu o Executivo Municipal de Irati em 15 de Julho de 1907, sendo indicado como primeiro prefeito do novo município, função que exerceu por menos de um ano. Chefiou pessoalmente os trabalhos de abertura de algumas novas ruas da vila, ao lado de Manoel Grácia empenhou-se no movimento de colonização de Gonçalves Júnior e participou com entusiasmo e dedicação de assuntos de interesse coletivo. Emilio Baptista Gomes é mais um dos nomes de destaque da história de Irati. 


COMO OS PÁSSAROS, NOS RAMOS,
DE MANHÃ, CANTAM A DEUS,
HOJE NÓS, TAMBÉM, CANTAMOS
A IRATI E AOS FILHOS SEUS...



Antonio Teixeira Sabóia, Coronel da Guarda Nacional, líder político, pioneiro nas lutas pelo desenvolvimento municipal. Residiu durante muitos anos em Pirapó, Distrito Judiciário de Bom Retiro, hoje Guamirim. Antonio Teixeira Sabóia foi o primeiro prefeito eleito pelo povo de Irati e administrou o município de 1908 à 1912. Promoveu a instalação de importantes melhoramentos públicos. Com a vitória da Aliança Liberal, assumiu a função indicada de Prefeito Municipal no período de 1931 á 1932, sendo figura de projeção na vida da comunidade. De grande prestigio e capacidade empreendedora, teve folha de relevantes serviços prestados ao Município. Outro nome de destaque na história de Irati. 


SENHORA, DESTE ALTAR NOVO,
BENDIZEI, DESDE A MANHÃ,
A CIDADE QUE É DO POVO
E É VOSSA, POR SER CRISTÃ!



Benedicto de Moraes, primeiro presidente indicado da Câmara Municipal de Irati. Assumiu em 1907, na instalação do Município. Benedicto chegou ao Covalzinho em 1899, após a inauguração da Estrada de Ferro, instalando aqui a sua casa de comércio. Assistiu a instalação do Distrito Judiciário do Covalzinho em janeiro de 1904, participando de todos os movimentos em defesa da comunidade. Em janeiro de 1902 foi designado e assumiu as funções de Agente do Correio da Vila. Mais tarde transferiu-se para o interior, indo residir em Campina e Cadeadinho. Em 1920 foi o Camarista mais votado da Câmara. Atuou destacadamente nos primeiros movimentos da evolução política, econômica e social de Irati. Como prefeito substituto, em 1920, presidiu a instalação do Distrito Judiciário de Itapará. 


Ó TU, VIADANTE QUE PASSAS,
OLHA E VERAS, PELOS BRILHOS,
NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS
QUE ESTÁ ABENÇOANDO SEUS FILHOS...



Rosalina Cordeiro de Araújo, primeira professora do Covalzinho, foi nomeada em 26 de novembro de 1900. Tudo era um imenso sertão. O pequeno povoado contava com apenas algumas casas cobertas de palha ou taboinhas. A sua escola foi instalada em um antigo deposito de erva mate, nas proximidades da recém criada Estação Ferroviária e apresentava precárias condições de trabalho. Os alunos usavam a mesa da professora para escrever suas lições. Outros sentavam no chão e escreviam sobre os bancos. Havia aula de manhã e a tarde e alguns alunos vinham de muito longe para aprender a cantar, declamar e respeitar os grandes vultos municipais e nacionais, além de estudarem também outras matérias curriculares. Rosalina Cordeiro, conhecida como Dona Noca, foi a grande pioneira da educação em Irati, exercendo sua missão com muito sacrifício, entusiasmo e dedicação. 


DO TRONO, QUE É ALTAR E SERRA,
NOSSA SENHORA, ESPARGI
GRAÇAS E AMOR SOBRE A TERRA
RICA E NOBRE DE IRATI!



Virgilio Moreira, poeta e orador, publicou inúmeros e importantes livros sobre os mais variados temas líricos. Foi o principal redator da Revista do Cinquentenário de Irati, membro do Centro de Letras José de Alencar e Sócio Honorário da Academia de inventores de Roma. Foi presidente da Associação Comercial de Irati, provedor do Orfanato São Valdomiro, vice-prefeito do município, presidente do Mobral, entre muitas outras atividades. Possui uma relevante folha de serviços prestados ao Município de Irati. Algumas das poesias que ilustram esta matéria são de sua autoria. 


ESTA MONTANHA QUE EU VEJO,
CORTANDO O CÉU DE IRATI,
TEM O TAMANHO DO BEIJO
QUE GUARDEI, PENSANDO EM TI...



Mercedes Braga assumiu, em 1930, a direção do Grupo Escolar de Irati, mais tarde Duque de Caxias. Com firmeza, dedicação, competência, trabalho e grande senso de iniciativa e justiça, constitui-se na grande personagem da educação iratiense, tornando a escola um centro de interesse, através da motivação para os estudos, recreação e liderança da sociedade. Com aumento de matriculas, conseguiu a construção do novo prédio para o antigo grupo de Irati. As exposições de trabalhos, as festas escolares, oficinas, biblioteca, jardim da infância, excursões escolares, o escotismo e o auxilio as escolas do interior, auxiliaram na expansão dos horizontes do ensino para a infância e juventude de Irati. Mercedes Braga permaneceu na direção do Grupo Escolar Duque de Caxias até 1942, voltando em 1952 para ficar até 1954, quando se aposentou com 36 anos de magistério. Mercedes Braga foi um exemplo de amor ao ensino e á criança iratiense. 


Ó TEMERARIO VIAJEIRO
QUE, EM TODA PARTE, PROCURAS,
SEJA NO VALE OU NO OUTEIRO,
O BOSQUE IDEAL DAS VENTURAS;



Dario Araujo, expressão das artes plásticas em Irati. Mestre da xilogravura fez clichês para os primeiros jornas do Município, que demonstram seu grande poder criativo, sensibilidade e talento. Autor de várias telas onde figuras bíblicas refletem a beleza clássica, tranquilidade e harmonia, revelando a inteligência e força expressiva que caracterizam sua arte. Captou com intensidade o espírito de uma época ao fixar aspectos da vida social e ângulos da cidade. Seus quadros em relevo estão espalhados por todo o território nacional e, também, no exterior. 


SUSPENDE O PASSO SUPONHO,
QUE A TERRA AZUL ESTÁ AQUI:
PORTO DO ENCANDO E DO SONHO,
GRUTA DO AMOR – I R A T I!



Piarina Nadal nasceu na Itália, em 1897, vindo para o Brasil com apenas um mês de idade. Chegou a Irati em 1937, depois de trabalhar como enfermeira no Hospital da Estrada de Ferro e Santa Casa de Ponta Grossa. Em contato com o desespero, com a dor e o sofrimento, foi sempre profundamente humana. Assistiu em Irati o nascimento de várias gerações, em seus 35 anos de intensa atividade como parteira. Mesmo com chuva, no inverno, a qualquer hora do dia ou da noite, a pé, de carroça, como era possível, na casa do rico ou do pobre, onde fosse chamada, lá estava ela, pronta para o trabalho. Muitas vezes deixava a própria roupa para proteger o recém-nascido. Chegou a tender de 50 a 60 partos por mês. Piarina Nadal foi chamada de “AGRANDE MÃE DE IRATI”.


QUE A INFINDA E SERENA GRAÇA,
REVISTIDA DE FERVORES,
SOBRE ESTE CHÃO SE DESFAÇA
EM RAMOS, FRUTOS E FLORES;



Lino Esculápio Mariano, pioneiro do Covalzinho, ao lado do Coronel Francisco de Paula Pires, Pacífico Borges, José Monteiro, João Thomaz Ribas, José Pacheco Pinheiro e tantos outros. Era carpinteiro e construiu as primeiras casas do Covalzinho e os primeiros bancos escolares. Ajudou a fazer o balizamento e a picada das primeiras ruas da vila. Assistiu e ajudou a cidade nascer. Figura quase mitológica, ornamentava todos os anos um grande presépio para que fazia a alegria de crianças e adultos da vila. Foi um pioneiro de relevantes serviços prestados a Irati. 


QUE A LUZ DIVINA QUE ADEJA
NAS TORRES E NOS ALTARES,
NOSSAS LAVOURAS PROTEJA
E PALPITE EM NOSSOS LARES...


Bem, meus prezados ouvintes, esta é a primeira parte desta matéria que convencionei chamar de “NEM UM POVO EVOLUI DESCONHECENDO A SUA PRÓPRIA HISTÓRIA”. Acredito que mais alguns outros programas serão necessários para que, pelo menos, possa citar um pequeno número dos grandes pioneiros do nosso querido RIO DE MEL – IRATI. Sei que muitos poderão ficar de fora, pois a lista é muito grande, podendo levar-me a esquecer de muitos que, por merecimento, deveriam fazer parte desta resenha. Tentarei fazer o melhor possível. Aguardem o próximo programa para darmos continuidade a este maravilhoso assunto. Até lá!

               

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