Matérias / Irati de Todos Nós

05/10/11 - 20h06 - atualizada em 05/10/11 às 20h11

Campanhas populares

O Programa Irati de Todos Nós é idealizado por José Maria Grácia de Araújo e vai ao ar pela Najuá AM, todos os sábados, às 14 horas
A nossa querida Irati, desde os seus primórdios, foi uma cidade romântica, alegre e, principalmente, solidária. Em todas as vezes que foi chamada a participar de campanhas em favor dos desamparados pelas benesses da vida, jamais deixou de marcar sua presença.

Silvio Ribeiro, nosso compositor “MOR”, soube muito bem, demonstrar em sua canção de homenagem ao nosso Centenário, toda a poesia que envolve a aura histórica do nosso Rio de Mel - Irati.

Quero cantar-te em versos
Mais uma vez
Oh Gloriosa Irati

Trago na Minha Memória
Um linda história que conheci

Foi há cem anos passado
Num lugar encantado
Bem perto daqui

Havia uma aldeia chamada Covalzinho
Á beira d’um riozinho
Onde cantava a Juriti

Ao largo uma capela
Branca e singela
Da Virgem Maria

Nela os fiéis reunidos
Faziam pedidos
A Santa atendia

Um dia o progresso chegou
O trem apitou
O povoado cresceu

E no fim do caminho
Em forma de um ninho
Irati nasceu.

Para um município singelo, solidário e romântico e patriótico, um Hino doce e perfumado, com as bênçãos do nosso grande Silvio Ribeiro.

Quinta feira 25 de agosto foi o dia do soldado. O programa Irati de Todos Nos e a Radio Najuá desejam homenagear no programa de hoje todos os militares que atuam em nossa cidade.
   
O meu BOA TARDE a todos vocês, meus prezados ouvintes, desejando-lhes que muita paz, harmonia e amor estejam bem dentro de sua corações e de seus lares.

     E agora, para atestar o grande romantismo de nossa Irati do passado, gostaria de falar-lhes sobre as grandes “campanhas” populares que eram muito freqüentes por aqui. Não somente em prol dos habitantes do município, como também em benefício de outros rincões do nosso estado, do país e até do exterior.

     Já, no início da sua vida social e política, Irati freqüentemente era convocado para prestar apoio financeiro as mais diversas instituições públicas ou privadas do estado e não se furtava em atendê-las. De muitas delas existem documentos que comprovam contribuições, para hospitais, hospícios, cúrias religiosas, leprosários, Exército Nacional, entre tantas outras, cujas doações eram anuais e até mensais e em valores substanciais. Parece-me que naqueles tempos estas instituições públicas e religiosas eram mantidas com donativos dos municípios e de particulares.

    Também houve outras campanhas, a nível nacional e até internacional, de que se têm notícias e farta documentação. Campanhas que se desenvolveram em épocas de conflitos internacionais ou calamidades públicas nacionais.

     Alguns documentos nos mostram que Irati participou ativa e brilhantemente de campanhas acontecidas durante a 2ª Guerra Mundial, e uma delas foi a “CAMPANHA DO METAL”, em benefício da Marinha de Guerra brasileira. Campanha esta desenvolvida em nossa cidade no início de 1942 e que se estendeu até 30.11 daquele mesmo ano, data em que foi festivamente encerrada e que em ata lavrada, assim foi descrita:

ATA DE ENCERRAMENTO DA CAMPANHA DO METAL.

     Aos 30 dias do mês de Novembro do ano de 1942, na sala do Fórum, na Prefeitura Municipal desta cidade, reuniu-se em sessão extraordinária a Comissão da Campanha do Metal para nossa Marinha de Guerra.

     Constatando-se o comparecimento da maioria dos membros, fez uso da palavra o Exmo. Snr. Tenente Manoel Alves do Amaral, Prefeito do Município e Presidente da Comissão. Por ele foi dito que considerava encerrada a “Campanha do Metal” em Irati e pedia fosse consignado em ata um voto de louvor aos membros componentes da referida comissão, cujo trabalho incansável e profícuo, muito contribuiu para o grande e excepcional êxito alcançado, salientando notar, ser o volume de metal armazenado na Praça da Bandeira desta Cidade, um dos maiores em todo o Estado, atestando assim o verdadeiro patriotismo da população local.

     Agradecia ao professorado iratiense, pela compreensão e pelas medidas tomadas com a maior presteza possível, que instruíram as crianças e adultos, fazendo-os de pronto compreender que “um pedaço de metal” por mais insignificante fosse, seria um baluarte para a defesa do nosso território; agradecia ainda ao operariado em geral, aos inspetores de quarteirão, aos comerciantes, aos industriais, aos particulares e a todo o pessoal da prefeitura, o auxílio prestado, concorrendo todos para a vitória dessa Campanha que conquistou a simpatia daqueles que trabalham e lutam pelo Brasil.

     Pedia também que fossem externados os seus agradecimentos ao membro ausente da Comissão, a serviço da pátria, Dr. Plínio de Mattos Pessoa. Considerando encerrada daquele momento em diante a “Campanha do Metal”, fazia votos pela prosperidade e grandeza do Brasil.

     Nada mais havendo a tratar, deu-se por encerrada a seção, que para constar eu JORGE GARZUZE, servindo como secretário, lavrei a presente ata, que foi assinada pelo Sr. Prefeito Municipal Tenente Manoel Alves do Amaral e mais uma centena de cidadãos e autoridades presentes ao ato.

     Ainda, com referência a esta magnífica Campanha do Metal, encontramos mais os seguintes ofícios: Ofício nº 167/43, dirigido ao Exmo. Snr. Dr. Oscar Borges – DD.Diretor do Departamento das Municipalidades. Curitiba, no seguinte teor:

     Respondendo a Circular nº 136, de V.Excia., tenho a satisfação de informar que o volume de metal angariado foi calculado em mais de 40 toneladas. Assinado 1º Tem. Manoel Alves do Amaral – Prefeito Municipal de Irati.
     Em outro ofício de 10.07.1943, dirigido ao Exmo. Snr. Comandante da 5ª Divisão de Infantaria em Curitiba, o então prefeito Manoel Alves do Amaral, assim se referia:

     Vimos pela presente consultar V. Excia. no sentido de quais as providências que devam ser tomadas em relação ao ferro coletado quando da patriótica “Campanha do Metal” Prende-se esta nossa consulta ao facto de ser grande o volume de metal aproveitável – Aproximadamente treis vagões, cujo material, apezar de constante vigilância, tem sido desviado por menores irresponsáveis. Em seguida o prefeito pedia informações de se na hipótese do material ser embarcado, qual a quantidade de metal teria aproveitamento industrial, pois o material arrecadado era constituído de tambores de ferro galvanizado, ferro comum, aço, folhas de flandres, etc. e se os metais que ocupassem maior espaço deveriam ser amassados, a fim de obter-se um menor volume.

    Outra grande Campanha desenvolvida em Irati, nesta mesma época, foi a “Campanha da Borracha” e, em um documento que encontramos o mesmo Prefeito Tenente Amaral comunicava-se com uma emissora de rádio pontagrossense, solicitando que fosse “IRRADIADA” diariamente às 12 horas dos dias 13 a 19 do mês de junho, daquele ano de 1942, a seguinte mensagem ao povo iratiense.

“O BRASIL E SEUS ALIADOS RECLAMAM A TUA BORRACHA USADA” Faze o teu donativo aos grupos incumbidos da coleta de objetos fora de uso, como sejam “Galochas”, sapatos de tênis, pneus e outros artigos de borracha. “IRATIENSE: CUMPRE O TEU DEVER, COLABORANDO COM A CAMPANHA DA BORRACHA”.
    Em outro oficio, este enviado a Interventoria Federal o Prefeito assim informava: “PATRIOTICA CAMPANHA DE ARRECADAÇÃO DE BORRACHA USADA, ORGANIZADA PELA LEGIÃO BRASILEIRA DE ASSISTÊNCIA, COM A COLABORAÇÃO DESTA PREFEITURA, FORAM ARRECADOS 3.381 QUILOS”.

     Outras campanhas patrióticas acontecidas em Irati neste mesmo período correspondente aos combates da 2º grande Guerra Mundial, foram: Racionamento de Combustíveis, durante o qual, todos os cidadãos do município, que possuíam veículos automotores, necessitavam requerer ao Serviço de Racionamento de Combustíveis do Estado do Paraná, uma cota restrita de gasolina, óleo, querosene, etc. e recebia então um bloco numerado e identificado com seu nome, marca do seu veículo, número do motor e ano de fabricação, o qual era composto de oito a deis tiques, picotados e contendo o número de litros que lhe era autorizado  consumir num determinado espaço de tempo e que variava de 25 a 50 litros cada um. Juntamente com alguns cupons remanescentes que possuo
existem também os livros, onde eram minuciosamente registradas cada uma das requisições feitas pelos interessados.

     Houve também a Campanha de racionamento de pneus, durante a qual todos os pneus necessários ao uso particular ou público do município, tinham de ser requisitados ao Governo Federal, acompanhado das devidas justificadas de suas reais necessidades.

     Mais uma campanha, ocorrida nesta mesma época, foi a de Controle de produtos alimentícios “especiais”, tais como, açúcar, farinha de trigo, banha, etc.

     E, tivemos ainda, em 19 de Janeiro de 1943, a constituição de uma comissão especial para o “Tabelamento de Preços”, exigida  pela portaria nº 122 do Exmo. Coordenador da Mobilização Econômica do País. Através desta Campanha, todos os preços dos produtos essenciais à população foram tabelados e fiscalizados por um grupo de cidadãos, representantes dos diversos segmentos da sociedade iratiense, tais como; Vergílio Moreira, Waldemar Phol, Victorio Woysick, Ercílio Slavieiro, Estefano Paramutchak, Antonio Trevizan, Tito Calderari, João Batista Leandro, Miguel Agulham Júnior, Paulo Dallegrave, Dr. Alcides Pereira Júnior, Augusto Kloster, dentre outros.
  
     Ao final da década de 40 e início dos anos 50, a fim de compensar os momentos difíceis que o Brasil, o Paraná e em especial IRATI passou naquele período conturbado por guerras e atrocidades, as autoridades federais, estaduais e municipais se desdobravam na procura de medidas atenuantes que servissem para aliviar as tensões das comunidades mais atingidas.

      O governador do estado era, então, o Sr. Moises Lupion e o prefeito do nosso município o Sr. José Galicioli e uma das iniciativas tomadas em conjunto por ambos voltou-se para a área educacional. O estado lançou, na época, a PATRIOTICA CAMPANHA EDUCACIONAL PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, através da qual ao Paraná estavam destinadas quatrocentas CLASSES de alfabetização especial, cabendo à IRATI cerca de quinze delas, cujo projeto foi oficialmente lançado em nosso município, no dia 05 de Maio daquele ano de 1948.

     No entanto, apesar da boa notícia da referida campanha, uma nova calamidade estava por acontecer naquele mesmo  ano de 1948. Foi, talvez, um dos acontecimentos mais traumáticos por que IRATI passou naquele período da sua historia. Fomos invadidos por levas intermináveis de GAFANHOTOS, que mais pareciam nuvens negras de um grande temporal, pois chegavam a obstruir por completo a luz do sol. Foram, impiedosamente, dizimadas todas as lavouras e plantações do município. Jardins, hortas, campos gramados e todo e qualquer tipo de vegetação ou arbusto eram devorados e frações de segundos pelos terríveis animaizinhos alados. Lembro-me que então estava com pouco mais de oito anos de idade e juntamente com meus colegas, nos armávamos com um cabo de vassoura, em cuja extremidade pregávamos uma tampa de lata de cera e saíamos pela cidade a derrubar gafanhotos em pleno vôo. A Prefeitura chegou a instituir premiações em dinheiro para quem exterminasse o maior número daqueles predadores, que eram apresentados para contagem em sacos, carrinhos de mão, gaiotas e até carroças ou pequenos caminhões. O Governo estadual mantinha com o município um sistema de comunicação diária a fim de avaliar a situação. Foi uma verdadeira catástrofe natural.

     Já em outubro daquele ano de 1948, para minorar o desanimo da nossa sofrida população, um novo fato, então positivo, estava se prenunciando no horizonte de nossas esperanças. O inicio das sonhadas obras da rodovia que ligaria IRATI a PALMEIRA, dava seus primeiros passos. Um  eminente jurista e político iratiense chamado Alcides Pereira Júnior encontrava-se a frente desta louvável iniciativa, e em um comunicado ao povo de IRATI ele informava: “Soube por informações fidedignas que todo o maquinário para a construção do trecho do Rio da Areia a Palmeira já se encontra nesta última localidade, numa demonstração que os trabalhos serão intensificados brevemente, congratulações ao meu povo de IRATI. Assinado Alcides Pereira Júnior, Deputado Federal”.

     No início de ano de 1949, mais precisamente no mês de março, uma outra iniciativa de cunho educacional estava sendo programada, para nosso município, pelo governo do nosso estado. Era, então, Secretário Estadual de Educação o Sr. Erasmo Piloto. Através de um de nossos jornais ele comunicava a nossa população que no dia 17 de Março de 1949, ás 17 horas, aconteceria em nosso município uma cerimônia cívica para o lançamento do programa de aprimoramento do ensino primário de IRATI, através do qual estariam sendo fixadas quotas mensais de apoio estadual ao projeto e, ao mesmo tempo, solicitava as nossas autoridades que indicassem nomes de alguns professores para assumirem suas cadeiras em algumas localidades do município desprovidas de escolas. Sem dúvidas um acontecimento digno de nota, para a época.

    Bem, meus prezados ouvintes, estes relatos de hoje mostram o grau de mobilidade social, patriótica e filantrópica, que Irati possuía em seu passado. Ocasião em que os diversos segmentos da nossa sociedade realmente se evolviam de corpo e alma, em campanhas meritórias, como as que acabamos de relacionar. Mas, com certeza, não foram apenas estas, pois, muitas outras, sabemos que houveram e que não foram devidamente registradas. Com isso não quero desmerecer o envolvimento da nossa sociedade nos dias atuais, pois, todos sabemos que as dificuldades do presente são bem maiores que as do passado, apenas desejei, neste meu programa, enaltecer tudo o que foi feito de bom e meritório por aqueles que nos antecederam na história da nossa terra, para que saibamos sempre lhes creditar as devidas homenagens que, com certeza, bem as merecem.  O meu muito obrigado e até o próximo sábado.
    

 

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