Cultural / Entretenimento

02/05/18 - 16h57 - atualizada em 03/05/18 às 15h26

Projeto apresenta educação patrimonial e insere estudantes na arte urbana

Colégios Xavier, São Vicente e João XXIII receberam desenhos artísticos nas paredes. Rodoviária ganhou um painel assinado por Thipan e rotatória recebeu escultura de Janete Mehl

Edilson Kernicki, com reportagem e fotos de Paulo Henrique Sava 


Quem chega a Irati e passa pela Rodoviária desde as primeiras semanas de abril é acolhido na cidade pelo vislumbre de uma releitura da imagem de Nossa Senhora das Graças, que fica no alto da Colina, pintada numa das paredes externas do terminal. A obra é assinada pelo artista plástico Thiago Thipan, que esteve na cidade com a também artista Janete Mehl e com a professora e restauradora Tatiana Zanelatto Domingues, trazendo o projeto “Fazendo Arte, Tecendo a Vida”, que contemplou, ainda, três colégios da rede pública. 

PUBLICIDADE

Promovido pela ONG Unicultura e Trento Edições Culturais, o projeto passa por oito cidades paranaenses e contemplou Irati, onde alunos dos colégios estaduais Antonio Xavier da Silveira, João XXIII e São Vicente de Paulo receberam oficinas de Patrimônio Histórico e Educação Patrimonial, Inserção à Arte e Arte Urbana. Nessas oficinas, os estudantes tiveram a oportunidade de vivenciar manifestações artísticas no campo das artes visuais, através do contato com técnicas artísticas de desenho e pintura.  

Nas oficinas ministradas aos alunos, eles também aprenderam sobre a conscientização histórica e a apropriação do espaço urbano como forma de prevenir a depredação de bens tombados. Em cada um dos colégios, ao final das oficinas, o artista plástico Thiago Thipan orientou os alunos na execução de uma pintura nas paredes externas, como registro das ações e forma de aplicar a técnica ensinada a eles. 

De acordo com a professora Lisa Marie Czelusniak, do Núcleo Regional de Educação de Irati (NRE), a escolha dos três colégios para receber o projeto adotou como critério o número de alunos matriculados. Segundo ela, o projeto vinha sendo elaborado já há três anos, mas só agora pôde ser, efetivamente, colocado em prática. O projeto também envolve uma parceria com a Prefeitura, que cedeu dois locais: um para receber a pintura – a Rodoviária – e outro para receber uma escultura – a rotatória entre as ruas XV de Novembro e 19 de Dezembro, definidos pela grande visibilidade que os dois locais têm devido ao movimento intenso. 

“O objetivo é incentivar, mobilizar a sensibilizar a população para o estudo da arte. Teve algumas oficinas nessas escolas”, acrescenta Lisa Marie. No Colégio Xavier, duas turmas receberam as oficinas, com os artistas. Janete Mehl ministrou oficinas de pintura e escultura; Thiago Thipan também ministrou oficina de pintura e abordou as diferenças entre pichação e arte urbana. 

PUBLICIDADE

As pinturas feitas nos colégios ao final das oficinas buscam refletir traços da cultura e da identidade locais. No Colégio Xavier, foram feitas as pinturas, estilizadas pela técnica de Thiago Thipan, de um lobo guará e de uma gralha azul; no São Vicente, que já foi uma instituição dirigida por religiosos, a pomba da paz e, no João XXIII, que possui vegetação ao redor, foi pintada a representação de uma floresta. 

A professora Lisa Marie destaca que a execução do projeto despertou o interesse não só dos alunos que participaram das oficinas pela questão da arte urbana como também acendeu a curiosidade de outros colégios e da população em geral. Ela frisa que a passagem do projeto “Fazendo Arte, Tecendo a Vida” por Irati deve promover um incentivo maior às questões relacionadas à arte. “Através da arte, conseguimos educar nossos alunos, que serão os futuros cidadãos iratienses e, com isso, transformar a realidade, transformar a sociedade. A arte é cultura, cultura é educação e a educação transforma a sociedade”, define. 

Professora Andréia Kruk Menon, a chefe do Núcleo Regional de Educação, Mariza Massa Lucas e a professora Lisa Marie Czelusniak

Conforme a professora Andreia Kruk Menon, também do NRE Irati, a ONG Unicultura, responsável pelo projeto “Fazendo Arte, Tecendo a Vida”, surgiu em 2008 para responder ao questionamento “Por que, mesmo com tantas reflexões filosóficas, ainda repetimos as mesmas práticas, geração após geração?”. “A ideia é trazer algo novo, que inspire o bem nas pessoas. Além de despertar o belo, a arte precisa despertar o bem; porque o belo passa, o bem fica”, analisa. 

Depois de prontas as pinturas, tanto nos colégios quanto na Rodoviária, e a instalação da escultura na rotatória, houve repercussão do projeto nas redes sociais. Segundo Lisa Marie, a repercussão inicialmente negativa foi convertida em elogios logo que a população se inteirou a respeito do que se tratava o projeto. Inicialmente, surgiram críticas à Prefeitura, pelo suposto gasto com as pinturas que, na verdade, não tiveram custo algum ao Município, sequer ao Estado, pois o material foi custeado pelos apoiadores do projeto. Logo que souberam do projeto de incentivo à arte e a educação patrimonial, quem criticava passou a concordar que as cidades precisam mesmo de iniciativas desse formato e desse porte, de acordo com a compreensão da professora. 

A chefe do NRE de Irati, Marisa Massa Lucas, enaltece que o projeto desperta também a consciência do aluno sobre a preservação patrimonial e a necessidade de se compreender a história local para entender o sentido que levou alguns locais a serem tombados, por exemplo. “A partir do momento que você conhece a história, você acaba gostando, valorizando e preservando também. Se o poder público coloca uma escultura numa rotatória, os vândalos podem acabar destruindo-a ou pichando-a, porque não conhecem a história com que aquela escultura e aquilo que é tão importante para a nossa cidade seja valorizado. A partir do momento que eles fazem parte dessa produção, com certeza, a cada vez que olharem para a rotatória ou para um prédio público e virem uma obra de arte que foi feita, eles vão entender o sentido daquela obra e não terá pichação naquilo”, diz. 

PUBLICIDADE

Marisa destaca, ainda, que o projeto contribui para que o jovem aprenda a valorizar o que há de importante na cidade, tanto sob o aspecto material, quanto àquilo que integra o patrimônio imaterial, a cultura, a história e a identidade. 

O “Fazendo Arte, Tecendo a Vida” é também viabilizado através do Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura do Paraná (PROFICE), com incentivo da Copel, Frimesa, Rodoparaná e Supermax, com apoio da Secretaria de Estado da Educação (SEED).

Comentários

Enquete

Em relação aos candidatos à presidência da república, você está?

  • Confuso (a)
  • Definido (a)
  • Indeciso (a)
Resultados