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31/01/10 - 12h35

Comercial ou prato feito?

Prato comercial e o famoso prato feito (PF) são compostos de apenas arroz, feijão, macarrão, saladinha e um bife ou frango, variando muito pouco um do outro. São presentes em restaurantes populares.

Hoje o eleitor, ainda, pensa que decide algo, mas o prato eleitoral já vem feito. Essa, infelizmente, é a triste realidade da história política do Brasil.

Parece que o quadro político em nosso estado e no país já está pronto.

A classe política já tem seus financiamentos de campanha. Através de empreiteiras, permissionários de serviços públicos, banqueiros, empresários com ascensão meteórica, setor agro econômico e outros. Nessa hora os possíveis candidatos e detentores de poder, se preciso, pegam carona em ônibus, dragas, bolsas de todos os tipos e até com caminhão de lixo.

Há um polêmico político paranaense que todo mundo diz que nunca votou, não vota e nem votará, mas sempre ele ganha. Provavelmente, nas próximas eleições, novamente ganhará uma cadeira no Senado Federal. Um dos assentos mais cobiçados na grade de poderes desse país. Pois, mesmo com competência administrativa duvidosa é hábil e forte na comunicação e mantém muitos alcaides em suas mãos, com o providencial apoio às prefeituras, o que resultará num vitória garantida.

Essa suposta inércia de definições visa que as negociações sejam os menos desfavoráveis possíveis.

Muitos somente colocam seus nomes para o sufrágio somente com o intuito de barganhar apoio no segundo turno, ou para tornar-se mais conhecidos do povo para eleições seguintes. São os eternos candidatos, principalmente dos pequenos partidos políticos.

Pobre povo do Paraná e do Brasil. Sem a educação suficiente e o discernimento necessário são levados pela mídia, muitas vezes tendenciosa ou por pesquisas duvidosas ao corredor do matadouro. É, na maioria das vezes, massa de manobra de políticos ladinos. Esse eleitor é primeiro usado, depois magoado, oprimido e quebrado. São os “dálits” dos eternos detentores de cargos públicos, como os coronéis do nordeste que agora são colegas da turma que comanda Brasília.

Essa cegueira e ignorância do eleitor são aproveitadas com as cestas “votos” de e qualquer tipo. Com as emendas parlamentares que por força de orçamento são existentes e não é favor nenhum que um deputado repasse a essa ou aquela cidade. Convênios que de uma forma ou de outra seriam celebrados com as prefeituras.

Estranhamente a cegueira dos eleitores migra para os eleitos após a eleição. O eleitor torna-se invisível como cidadão. Um estranho no ninho em se tratando de reivindicações e direitos sociais. Há olhos somente para a classe que franqueou os gastos eleitoreiros, muitas vezes, de forma irregular. Esses políticos agem como os vendilhões do templo.

Essa indiferença dos políticos após a eleição é uma afronta para com a população. Torna-se um desalento com o importante direito do voto.

Tomara que tudo isso não acenda o estopim para uma explosão do caldeirão dos pilares da democracia.


Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

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